Um resort bastante conhecido em Ribeirão Claro, no Paraná, está no centro de uma polêmica. Segundo reportagem do portal Metrópoles, o local, que tem forte ligação com a família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), estaria operando um cassino com jogos de azar que são proibidos no Brasil.
Apesar de ser chamado por muitos na região como o “resort do Toffoli”, o nome do ministro não aparece nos documentos oficiais da propriedade. Contudo, funcionários do local o tratam como proprietário, ele tem uma casa de luxo por lá, uma embarcação ancorada e é visto frequentemente no resort. Dois dos seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, foram inclusive sócios da empresa que construiu os apartamentos do complexo.
Detalhes dos jogos ilegais e a presença de crianças
O Resort Tayayá oferece máquinas de apostas eletrônicas, as chamadas vídeo loterias, que são regulamentadas pelo governo do Paraná e cuja exploração foi permitida aos estados pelo próprio STF em 2020, em decisão que contou com a participação de Dias Toffoli. No entanto, o problema maior apontado pela Metrópoles é a existência de mesas de jogos de carteado, como o blackjack, onde as apostas são feitas com dinheiro vivo. Essa modalidade é expressamente proibida pela lei brasileira.
Repórteres infiltrados na investigação foram até convidados por funcionários para participar desses jogos ilegais depois do horário oficial de funcionamento. O que mais preocupa é que o cassino opera sem nenhum controle de entrada, e, o pior, foram flagradas crianças usando as máquinas caça-níqueis, algo que levanta sérias questões de segurança e legalidade.
Negociações e ligações com processos do STF
A história da propriedade do resort se tornou ainda mais intrincada com uma série de negociações. Segundo a reportagem, pessoas ligadas a processos que estão sob a relatoria do ministro Toffoli no STF se envolveram na compra e venda do local. Por exemplo, antes de ser vendido, o resort passou das mãos de familiares de Toffoli para um advogado ligado à J&F, o grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Além disso, ações do hotel foram adquiridas por um fundo que recebeu investimento do pastor Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, uma figura do Banco Master. Por coincidência, o Banco Master é um dos alvos de uma investigação que está sob a relatoria de Toffoli no STF, o que levanta ainda mais questionamentos sobre a situação.
No final do ano passado, o ministro Dias Toffoli chegou a fechar o resort para uma festa privada, com familiares e convidados, entre eles o famoso ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário. Funcionários contaram que, na ocasião, Ronaldo teria até “inaugurado” a área de jogos ilegais.
O que diz a defesa do resort
Procurado para comentar o caso, o advogado Paulo Humberto, que defende o resort, negou categoricamente a existência de jogos ilegais no local.
“Em relação à jogatina, os jogos existentes no Tayayá são autorizados pela loteria do estado. Quanto aos jogos de cartas, as mesas disponíveis são para diversão dos próprios hóspedes, que jogam de truco a pôquer. Não há interferência nem incentivo à jogatina”, afirmou o advogado.
Apesar da defesa, a lei brasileira é clara: enquanto as vídeo loterias podem ser exploradas pelos estados, jogos de azar com apostas em dinheiro e a presença de dealers (crupier), como o blackjack, continuam sendo proibidos em todo o país. O caso do Resort Tayayá segue gerando repercussão e levantando dúvidas sobre a fiscalização e a legalidade das operações de jogos de azar no Brasil.







