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Polícia

Relatório aponta abusos policiais e falhas na segurança pública

O Relatório Mundial 2026 da Human Rights Watch revela que estratégias policiais baseadas na força letal falham no Brasil, aumentando a violência e a desconfiança, e impactando principalmente negros. Segurança será tema central das eleições.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
06 de fevereiro, 2026 · 17:22 3 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A segurança pública no Brasil continua sendo uma preocupação enorme para os cidadãos, um tema que, aliás, será central nas próximas eleições. Um novo relatório, o 'Relatório Mundial 2026' da Human Rights Watch (HRW), joga luz sobre os desafios do país, destacando que as estratégias atuais da polícia, muitas vezes baseadas no uso excessivo da força, não estão tornando os bairros mais seguros.

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Muito pelo contrário, segundo a organização, essa abordagem contribui para um ciclo de violência e desconfiança. O documento, que analisa as práticas de direitos humanos em mais de 100 países, aponta que o Brasil precisa urgentemente de novas estratégias para combater o crime organizado sem violar os direitos das pessoas.

Letalidade policial e o impacto nas comunidades

Um dos pontos mais alarmantes do relatório é a alta letalidade policial. Entre janeiro e novembro de 2025, a polícia brasileira matou 5.920 pessoas. Embora algumas dessas mortes aconteçam em legítima defesa, muitas outras são resultado do uso ilegal da força, ou até mesmo o que se chama de execuções extrajudiciais.

O impacto é desproporcional: pessoas negras no Brasil têm uma probabilidade três vezes e meia maior de serem vítimas da violência policial do que pessoas brancas. Essa realidade cria uma barreira de desconfiança entre as comunidades, especialmente as de baixa renda e predominantemente negras, e as forças de segurança. Quando a polícia abusa da força ou é envolvida em corrupção, as pessoas ficam menos propensas a denunciar crimes e ajudar nas investigações, tornando o trabalho de segurança ainda mais difícil.

Polícia em risco e investigações falhas

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Mas não é só a população civil que sofre. As estratégias de segurança que frequentemente resultam em tiroteios também colocam a vida dos próprios policiais em perigo. No mesmo período (janeiro a novembro de 2025), 171 policiais morreram e outros 119 cometeram suicídio. Essa taxa é bem mais alta que a do restante da população e reflete a exposição constante à violência e a falta de apoio adequado à saúde mental para esses profissionais.

Além da letalidade e dos riscos, o relatório da HRW critica as investigações sobre mortes causadas pela polícia, que muitas vezes são incompletas. Um exemplo triste disso é a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025, onde a polícia deixou de tomar medidas cruciais para entender as circunstâncias da morte de pelo menos 122 pessoas, incluindo 5 policiais.

Outro problema sério é a falta de independência das unidades forenses em sete estados, além do Distrito Federal. Locais como o Rio de Janeiro ainda têm essas unidades subordinadas à Polícia Civil. Essa configuração não dá a elas a autonomia necessária para investigar casos de suposto abuso policial de forma eficaz e imparcial.

Um chamado por novas abordagens

“As estratégias de segurança pública baseadas no uso indiscriminado de força letal pela polícia falharam repetidamente em tornar os bairros brasileiros mais seguros e, em vez disso, resultaram em mais violência e insegurança”, disse César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil.

Muñoz reforça que os candidatos nas próximas eleições precisam ir além e apresentar propostas que protejam os direitos de todos. É fundamental pensar em como combater o crime organizado de verdade, ao mesmo tempo em que se garante que a própria polícia não seja uma ameaça para as comunidades mais vulneráveis.

A mensagem da Human Rights Watch é clara: para ter um Brasil mais seguro, é preciso mudar o foco. Investir em estratégias inteligentes, que respeitem os direitos humanos e priorizem a investigação de qualidade, é o caminho para que a segurança pública deixe de ser um problema e se torne, de fato, uma solução para a violência no país.

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