A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, 33 anos, acumula uma lista crescente de crimes graves sob investigação. Além de ter facilitado a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024, ela passou a ser investigada por planejar e ordenar assassinatos, incluindo um suposto atentado motivado por "queima de arquivo" contra um ex-servidor da unidade prisional e sua esposa.
Joneuma foi presa pela primeira vez em janeiro de 2025, após a fuga em massa do Conjunto Penal em 12 de dezembro de 2024, quando um grupo armado invadiu a unidade e libertou 16 detentos, todos ligados ao Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Ela era, na época, a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora em um presídio masculino da Bahia — nomeada em março de 2024.
As investigações revelaram que ela mantinha um relacionamento amoroso com Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, apontado como líder da facção e um dos alvos da fuga. Segundo depoimentos, os encontros entre os dois ocorriam no interior do próprio presídio, na sala de videoconferências, de forma sigilosa, e geravam estranheza entre os funcionários.
Com o avanço das apurações, novas acusações foram incorporadas ao caso. De acordo com documentos judiciais analisados pelo Portal A Tarde, Joneuma teria ordenado a morte de um jovem de 22 anos, Alan Queven dos Santos Barbosa, após ele publicar em uma página de fofoca que ela seria uma "miliciana". O pedido teria sido feito ao próprio Dadá.
Além disso, a investigação identificou um suposto atentado planejado contra o ex-supervisor do presídio, Wallas Santos de Almeida, e sua esposa. A motivação seria silenciar uma testemunha que colaborou com a polícia durante as investigações sobre a fuga — um claro caso de queima de arquivo. Em decorrência, uma nova prisão preventiva foi decretada em dezembro de 2025.
Joneuma responde por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, organização criminosa, facilitação de fuga de preso, porte ilegal de armas, sequestro e cárcere privado, entre outros. A defesa, conduzida pela Defensoria Pública da Bahia, argumentou ausência de provas concretas e excesso de prazo nas investigações.
Em março de 2026, o caso ganhou um novo capítulo: Joneuma fechou acordo de delação premiada com o MP-BA e apontou o ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB) como figura com influência dentro do sistema prisional, que teria articulado a fuga mediante pagamento de R$ 2 milhões à facção. Uldurico foi preso em 16 de abril em Praia do Forte, no Litoral Norte da Bahia.
Em 17 de março, Joneuma deixou o Conjunto Penal de Itabuna com a filha de 8 meses, que nasceu durante o período de custódia. O juízo da 1ª Vara Criminal de Eunápolis concedeu a prisão domiciliar, levando em conta a maternidade e as condições processuais. Ela segue respondendo às acusações fora do regime fechado, mas sob medidas cautelares. Treze dos 16 fugitivos ainda permanecem foragidos.







