Um crime que marcou Alagoas no final dos anos 1990 finalmente teve desfecho na Justiça. O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Gilmar Galvão da Silva, foi condenado a 21 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior, ocorrido em dezembro de 1999.
O julgamento, realizado na sexta-feira (12) no Fórum do Barro Duro, em Maceió, encerrou um processo que se arrastava há quase três décadas e que expôs a atuação de grupos criminosos ligados à corporação na época. Logo após a sentença, o mandado de prisão foi cumprido sem resistência ainda dentro do fórum, conforme informou a Polícia Militar de Alagoas.
Ao fixar a pena em 21 anos de reclusão em regime inicialmente fechado, o juiz Geraldo Amorim determinou que o ex-policial militar seja encaminhado para um presídio comum de segurança máxima. A sentença foi proferida na tarde desta sexta-feira (12), após julgamento no Fórum do Barro Duro. Gilmar Galvão cumprirá pena separado dos demais detentos por ter sido policial militar expulso da corporação.
O sargento Osmário foi sequestrado na porta de casa, no Conjunto José Tenório, na Serraria, diante da esposa e da filha, que tinha apenas quatro anos de idade. Dois homens o obrigaram a entrar em seu carro, uma Parati, e desapareceram.
Três dias depois, em 20 de dezembro, trabalhadores da Fazenda Horizonte, na zona rural de Pilar, encontraram o corpo do sargento no canavial. Ele havia sido atingido na cabeça por um disparo de espingarda calibre 12, sem chance de defesa.
Presidido pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim, da 9ª Vara Criminal da Capital, o júri popular foi marcado por fortes emoções. O magistrado chegou a citar versos de Nelson Gonçalves ao anunciar a sentença, enquanto familiares da vítima choraram durante os depoimentos.
O julgamento foi marcado também pela participação da advogada Cinara Dias, filha do sargento assassinado. Atualmente advogada, ela atuou como assistente de acusação no caso que acompanhou durante toda a vida.
Durante a acusação, o assistente Thiago Cavalcante destacou o reconhecimento feito pela viúva da vítima. Segundo ele, inicialmente houve suspeitas sobre outra pessoa, mas a esposa do sargento descartou essa possibilidade e posteriormente identificou Gilmar Galvão como um dos envolvidos. A acusação também destacou que o réu foi expulso da Polícia Militar e possui histórico de envolvimento em outros processos criminais.
O sequestro e assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior é considerado um dos casos criminais mais emblemáticos da história recente de Alagoas. O caso passou a simbolizar a violência associada a grupos criminosos que atuavam no estado no fim da década de 1990. Após a prisão no fórum, Gilmar Galvão foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para os procedimentos legais, conforme informou o Ministério Público de Alagoas.







