A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Sexta-Feira 13 no município de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, para desarticular um esquema de fraudes em benefícios assistenciais do INSS. A ação foi realizada em conjunto com a Coordenação-Geral de Inteligência do Ministério da Previdência Social e mira uma associação criminosa suspeita de utilizar documentos falsificados para obter pagamentos do INSS.
Segundo as investigações, os criminosos atuam há cerca de dez anos e, durante o período, já desviaram mais de R$ 11 milhões dos cofres públicos. No total, foram identificados 50 benefícios fraudulentos ligados ao grupo.
As apurações constataram que os documentos de identidade utilizados para solicitar os benefícios eram falsos e não possuíam registro no Instituto de Identificação do Estado da Bahia. Além disso, os criminosos mantinham diversas identidades falsas para acumular mais de um benefício irregular.
Em diversos casos, pedidos foram realizados junto ao INSS por pessoas que se apresentavam como representantes legais dos beneficiários, sem qualquer documento que comprovasse essa condição. Em outros casos, esses representantes foram cadastrados nos benefícios apenas depois da data de concessão.
A investigação revelou ainda que vários dos benefícios considerados fraudulentos já haviam sido suspensos pelo INSS, mas foram reativados após solicitações feitas pelos investigados — o que permitiu a retomada dos pagamentos, incluindo valores retroativos. É justamente esse detalhe que inspirou o nome da operação: a PF confirmou que o nome faz referência à série de filmes "Sexta-Feira 13", em alusão aos benefícios que, assim como o personagem da franquia, voltavam a aparecer mesmo depois de dados por encerrados.
Na operação, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão com o objetivo de coletar documentos, mídias e objetos que possam confirmar a prática criminosa e rastrear patrimônio decorrente das fraudes. As investigações tiveram início há aproximadamente um ano.
O caso em Santo Amaro não é isolado. Somente entre julho de 2025 e maio de 2026, a Polícia Federal deflagrou ao menos uma dezena de operações contra grupos suspeitos de criar pessoas fictícias, falsificar documentos e sacar benefícios de aposentados mortos para obter recursos do INSS. As investigações mostram que o problema deixou de ser pontual e, em muitos casos, trata-se de organizações criminosas estruturadas, com divisão de tarefas, falsificadores, intermediários e operadores financeiros.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados na Operação Sexta-Feira 13 poderão responder pelos crimes de estelionato qualificado, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistemas da Previdência Social.







