A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (29) uma operação contra uma organização criminosa especializada no chamado golpe do falso advogado. Ao todo, 26 mandados de busca e apreensão foram cumpridos de forma simultânea em municípios de sete estados: Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Goiás, Maranhão e Distrito Federal.
A investigação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (DEIC/D9) de Piracicaba, no interior de São Paulo. As equipes paulistas contaram com o reforço de 12 unidades e 60 policiais civis do Estado de Goiás para o cumprimento dos mandados.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, o esquema rendia cerca de R$ 200 mil por dia ao grupo. As vítimas eram abordadas por criminosos que se apresentavam como advogados e solicitavam pagamentos para a suposta liberação de valores judiciais — uma fraude que tem se disseminado pelo país.
A organização funcionava em três núcleos bem definidos. O núcleo operacional estava instalado em Brasília (DF) e era responsável pelo acesso indevido ao portal de serviços do Tribunal de Justiça de São Paulo (e-SAJ), além de operar as contas de e-mail usadas na fraude. A prática é comum entre organizações criminosas que utilizam a identidade de supostos advogados valendo-se de informações públicas ou obtidas por meios ilícitos, tendo como alvo principal pessoas com ações judiciais em trâmite, precatórios ou RPVs.
O núcleo financeiro ficava na Região Metropolitana de Goiânia, onde os valores obtidos eram centralizados e sacados. Para dificultar o rastreamento, a organização distribuía os recursos por contas em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Norte, segundo a investigação.
No golpe, criminosos se passam por advogados ou funcionários de escritórios para entrar em contato com clientes que possuem processos em andamento. Os golpistas afirmam que a vítima tem valores a receber na Justiça, mas exigem pagamentos antecipados para "liberação", "custas" ou "taxas processuais". Há casos em que os golpistas chegam a usar vídeos gravados, áudios com linguagem jurídica, e-mails com domínios falsificados e perfis falsos nas redes sociais para simular a presença legítima do profissional ou do escritório.
Até agosto de 2025, mais de 2.600 casos foram registrados em todo o país, com atuação organizada e sofisticada, em cerca de 90% deles por meio de aplicativos de mensagem. Além do patrimônio das vítimas, o golpe ataca a confiança no sistema judiciário e na advocacia brasileira.
A escalada do golpe do falso advogado tem mobilizado instituições em busca de respostas. As iniciativas incluem um projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados e ações ajuizadas por seccionais da OAB cobrando providências de tribunais, plataformas digitais, bancos e operadoras de telefonia.
Durante o cumprimento dos mandados, foram identificados investigados e coautores, além de apreendidos documentos, celulares e dispositivos eletrônicos de interesse para a investigação. As diligências seguem em andamento.
Uma orientação básica da Justiça para quem receber esse tipo de abordagem: advogado de verdade não solicita depósitos via Pix para liberar valores de processo judicial. Em caso de suspeita, a recomendação é confirmar a identidade do profissional diretamente com a OAB antes de qualquer pagamento.







