Nesta segunda-feira (9), Carlos Alberto de Carvalho Fraga, professor e pesquisador do curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), campus Arapiraca, foi encontrado sem vida em sua residência, localizada no município do Agreste alagoano.
As circunstâncias da morte estão sob análise das autoridades competentes. Equipes do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) realizaram os procedimentos periciais no local. Segundo declarações do delegado Douglas Rocha, a linha de investigação inicial aponta para morte acidental, uma vez que não foram identificados sinais de violência no imóvel ou no corpo do docente.
Natural de Minas Gerais, Carlos Fraga construiu uma carreira sólida na academia. Biólogo de formação e Mestre em Ciências da Saúde, ele ingressou no corpo docente da Ufal em 2017, atuando no Centro de Ciências Médicas.
Sua atuação profissional foi marcada pela integração entre o ensino e a pesquisa de ponta. Fraga era especialista em bioinformática, utilizando técnicas avançadas como o single-cell RNA sequencing (scRNA) e o transcriptoma espacial. Essas ferramentas eram aplicadas pelo pesquisador para desvendar mecanismos de doenças inflamatórias e crônicas.
O reconhecimento internacional de seu trabalho veio recentemente, em 2025, com a publicação de um artigo na revista Immunity, um dos periódicos mais respeitados mundialmente na área de imunologia. O estudo trouxe contribuições significativas para o desenvolvimento de terapias mais eficazes contra o câncer e para o tratamento de infecções virais persistentes.
Além de pesquisador, Fraga era reconhecido por sua vocação pedagógica. Durante sua passagem pela Ufal, exerceu o cargo de vice-coordenador do curso de Medicina e era estimado por colegas e estudantes.
Entre 2017 e 2018, expandiu sua sala de aula para o ambiente digital, produzindo conteúdo educativo para o YouTube com foco em Histologia e Embriologia, facilitando o acesso ao conhecimento para estudantes da área de saúde.
A Direção-Geral e a Direção Acadêmica do campus Arapiraca da Ufal lamentaram profundamente a perda e decretaram luto oficial de três dias. As atividades administrativas e acadêmicas, no entanto, foram mantidas.
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) também manifestou pesar e informou que o sepultamento do professor será realizado em Minas Gerais, seu estado de origem.







