Uma bebê de 1 ano e 4 meses morreu asfixiada após ficar presa ao cinto de um bebê-conforto dentro de uma casa que funcionava como creche irregular no Setor O, em Ceilândia, no Distrito Federal. A vítima foi identificada como Laura Rebeca Ribeiro dos Santos. O caso ocorreu na tarde de quinta-feira (11/12), na QNO 6, conjunto P, e é investigado pela 24ª Delegacia de Polícia (Setor O) como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, de acordo com informações da perícia preliminar e da Polícia Civil do DF.
Fontes indicam ainda que a criança aguardava vaga em uma creche pública da rede de ensino do Distrito Federal no momento da tragédia.
Mãe de três crianças e trabalhadora autônoma na área de beleza, Lorrany Stephane relata que recorreu à creche domiciliar por não ter com quem deixar a filha para poder trabalhar naquele dia. Segundo ela, normalmente a bebê ficava sob cuidados de familiares, mas naquela quinta-feira ninguém estava disponível. A indicação da cuidadora teria sido feita por uma cliente do salão, que afirmou que o espaço tinha boa reputação e contava com câmeras de segurança. A responsável pela casa teria prometido, inclusive, enviar fotos da menina ao longo do dia e garantido experiência no cuidado de crianças.
“Eu precisava trabalhar, não tinha com quem deixar, por isso aceitei levar ela lá”, relatou Lorrany em entrevista, afirmando que era a primeira vez que deixava a filha aos cuidados de uma pessoa desconhecida.
Funcionamento da creche irregular
A residência onde Laura foi deixada funcionava como uma espécie de creche clandestina, sem autorização da Secretaria de Educação nem alvará para atendimento infantil. Reportagens apontam que o espaço operava na garagem da casa, com brinquedos, cama elástica e uma pequena área de lazer. Moradores relataram que, em determinados períodos, mais de dez crianças eram atendidas simultaneamente no local, apenas pela cuidadora, sem equipe de apoio, o que ampliava a sobrecarga de responsabilidade sobre uma única pessoa.
A Secretaria de Educação do DF informou que a atividade não tinha registro formal nem autorização como unidade de educação infantil.
Como ocorreu a morte, segundo versões iniciais
De acordo com informações colhidas pela Polícia Civil e divulgadas pela imprensa, Laura foi colocada para dormir em um bebê-conforto que não pertencia à família. A mãe relata que havia levado apenas um carrinho de bebê grande e espaçoso, sem o hábito de prender a filha com cinto de segurança. Em algum momento, a criança teria ficado presa ao cinto do equipamento e sofreu asfixia.
Versões apresentadas pela cuidadora aos investigadores e à família apontam que a menina foi colocada para dormir enquanto outras crianças recebiam atenção em outro cômodo. Em depoimento, a mulher afirmou que, em determinado momento, teria se ausentado brevemente para buscar outras crianças na escola, deixando a supervisão a cargo do marido. Depois, relatou que retornou ao quarto e acreditou que a bebê continuava dormindo, estranhando apenas o tempo prolongado de sono.
Ao voltar novamente ao ambiente, a cuidadora afirmou ter encontrado Laura desacordada, com sinais de enforcamento pelo cinto do bebê-conforto. Em seguida, o socorro foi acionado. Em alguns relatos de familiares à imprensa, a menina foi encontrada já sobre o sofá da casa, sem vida, com hematoma visível no pescoço e sangramento no nariz.
Em uma das reportagens, a responsável pela creche irregular é descrita como tendo apresentado versões diferentes sobre a dinâmica exata do ocorrido, o que é um dos pontos que deve ser confrontado com os laudos técnicos e as imagens das câmeras de segurança apreendidas no imóvel.
Perícia aponta asfixia por cinto como causa provável
Laudos preliminares da perícia indicam que a causa da morte foi asfixia provocada pelo cinto do bebê-conforto. O exame pericial inicial, citado por veículos de imprensa, é consistente com a narrativa de que a criança teria se enforcado ao tentar se mover ou sair do equipamento.
O laudo definitivo do Instituto de Medicina Legal (IML) ainda está em elaboração e deverá detalhar a dinâmica das lesões, o tempo estimado de asfixia e possíveis circunstâncias que contribuíram para o óbito. Esses dados serão fundamentais para o inquérito conduzido pela 24ª DP, que, segundo o Correio Braziliense, apura o caso como homicídio culposo em contexto de prestação de serviço irregular de cuidado infantil.
Família aguardava vaga em creche pública
A avó de Laura informou à imprensa que a menina estava inscrita e aguardava vaga em uma creche pública do Distrito Federal. Em nota, a Secretaria de Educação do DF confirmou que a criança havia tido a inscrição validada em abril e permanecia regularmente na fila de espera, seguindo o fluxo de chamamentos de acordo com a oferta de vagas, idade e região administrativa.
Ainda segundo a pasta, a região de Ceilândia, Pôr do Sol e Sol Nascente conta com 48 creches públicas, que somam pouco mais de 6,3 mil vagas. A família afirma que, enquanto a vaga não era disponibilizada, a alternativa vinha sendo recorrer a parentes para permitir que a mãe continuasse trabalhando, recurso que não estava disponível no dia da morte da bebê.
Investigações e próximos passos
A Polícia Civil do Distrito Federal conduz a investigação por meio da 24ª Delegacia de Polícia. O imóvel onde funcionava a creche clandestina foi periciado, e o sistema de câmeras de segurança instalado na casa foi apreendido. As imagens devem ser analisadas para esclarecer por quanto tempo a criança permaneceu sem supervisão direta, em que posição estava no bebê-conforto e em que momento começou a asfixia.
Além dos laudos do IML e da perícia de local, a investigação inclui depoimentos da cuidadora, do marido dela, de familiares da vítima e de outras pessoas que deixavam seus filhos na residência. O objetivo é apurar eventuais negligências, irregularidades na prestação do serviço e responsabilidades criminais pela morte da bebê.
O caso segue em apuração na 24ª Delegacia de Polícia, que aguarda o laudo definitivo do IML e a análise das imagens das câmeras de segurança da casa onde funcionava a creche.








