A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu a investigação sobre a sequência de roubos de veículos registrada entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2025, período em que cerca de 800 ocorrências foram contabilizadas em apenas quatro dias. De acordo com a apuração, a ofensiva criminosa não teria sido motivada por ganho financeiro, mas por uma estratégia definida no topo da hierarquia do Comando Vermelho (CV).
Segundo a corporação, a determinação para a intensificação dos roubos partiu de lideranças instaladas em áreas consideradas estratégicas para a facção, com atuação em diferentes regiões do estado. A investigação aponta que a ação teria buscado espalhar medo e desafiar o aparato de segurança pública, em reação às operações que impactaram a estrutura financeira do grupo.
Um dos pontos levantados pelo trabalho de inteligência foi o padrão observado após os crimes: parte dos veículos roubados teria sido abandonada pouco tempo depois e recuperada em locais sob domínio do próprio CV. Para os investigadores, isso reforça a hipótese de coordenação, com o objetivo de demonstrar força e ampliar a sensação de insegurança.
O indiciamento ocorre no contexto da Operação Torniquete, que mira roubo, furto e receptação de cargas e veículos — crimes apontados como fontes de financiamento para organizações criminosas. Desde o início da operação, em setembro de 2024, a Polícia Civil informou que realizou mais de 740 prisões, recuperou cargas e veículos avaliados em cerca de R$ 45 milhões e bloqueou bens e valores que somam mais de R$ 70 milhões.
No inquérito, a Polícia Civil afirma ter reunido elementos para individualizar responsabilidades e sustenta que a onda de crimes foi planejada por integrantes da cúpula da facção, com atuação na Zona Norte do Rio, na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense.







