A Polícia Civil da Bahia e a Polícia Militar deflagraram, na manhã desta quarta-feira (3), a Operação Dose Final, voltada a desmantelar uma organização criminosa que atuava com roubos sistemáticos a redes farmacêuticas de Salvador, tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. As investigações apontam o bairro do Nordeste de Amaralina como o centro de operações do grupo.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), os alvos principais eram medicamentos de altíssimo valor comercial: Mounjaro, Ozempic e Wegovy — as chamadas "canetas emagrecedoras", que chegam a custar mais de R$ 1 mil a unidade e se tornaram objeto de cobiça do crime organizado em todo o país.
Os mandados de prisão e de busca e apreensão estão sendo cumpridos simultaneamente em Salvador, em Mesquita (RJ) e em São Paulo (SP), demonstrando a ramificação interestadual da estrutura criminosa. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e valores que somam R$ 12,5 milhões, conforme informações da SSP-BA.
O grupo investigado não se limitava aos roubos a farmácias. Segundo as autoridades, a quadrilha também responde por execuções ligadas a disputas territoriais e por associação criminosa, com divisão clara de funções internas e elevado poder operacional — características típicas de organizações criminosas estruturadas.
O fenômeno não é isolado. Empresas de todo o Brasil registraram milhões em perdas com a ação de quadrilhas que revendem as canetas emagrecedoras roubadas. Em Salvador, segundo investigações anteriores da Polícia Civil, 28 farmácias chegaram a ser atacadas entre fevereiro e maio de 2025, em bairros como Itapuã, Pituba, Ondina, Barra e Cabula, com prejuízo superior a R$ 2 milhões.
A operação desta quarta conta com equipes de ao menos oito departamentos e coordenadorias da Polícia Civil baiana, incluindo o DHPP (Homicídios), o DRACO (crime organizado e lavagem de dinheiro), o DENARC (narcotráfico), o DIP (inteligência), o DEPOM (polícia metropolitana) e a POLINTER (operações interestaduais). Também participam a Superintendência de Inteligência da SSP-BA, a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), o Departamento de Polícia Técnica (DPT) e forças de segurança dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
O contexto nacional ajuda a explicar a escalada dos crimes. Os únicos produtos com o princípio ativo tirzepatida autorizados no Brasil são o Mounjaro e o Mounjaro Multidose. A exclusividade, aliada à alta demanda, eleva o valor de revenda no mercado paralelo e atrai organizações criminosas cada vez mais sofisticadas. Somente o Mounjaro registrou R$ 1 bilhão em vendas trimestrais no país.
A Polícia Civil da Bahia não divulgou, até o momento desta publicação, o número de prisões efetuadas durante a Operação Dose Final nem os nomes dos alvos. As investigações continuam em andamento.







