Três homens apontados como integrantes de facção criminosa morreram em confrontos com a Polícia Militar durante operações realizadas nas últimas 48 horas no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador. As ações são uma resposta direta ao ataque registrado na tarde do último sábado (25), quando dois policiais militares foram baleados durante rondas na região.
Os PMs estavam em rondas na Avenida Nova República quando foram atingidos por disparos. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) como tentativa de homicídio. Um dos agentes passou por cirurgia após ser atingido no tórax e permanece em estado grave, mas estável. O outro foi atingido no braço e já recebeu alta.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, quatro integrantes de organizações criminosas foram localizados durante as operações subsequentes. Um foi preso em flagrante. Os outros três teriam reagido à abordagem policial, houve troca de tiros, os suspeitos foram baleados, socorridos para uma unidade de saúde, mas não resistiram aos ferimentos. De acordo com a corporação, os mortos eram conhecidos pelos apelidos de Shrek, Caos e Banguelo. Ainda conforme a PM, o suspeito identificado como Caos possuía duas passagens pela polícia e costumava publicar imagens exibindo armas de fogo nas redes sociais.
Na manhã desta segunda-feira (27), a PM reforçou o policiamento em todo o complexo com equipes do 30º Batalhão, RONDESP Atlântico, Batalhão de Choque, BPATAMO e Grupamento Aéreo (Graer). O comandante do 30º BPM, tenente-coronel Joel Batalha, afirmou que "o policiamento permanecerá com forte presença em todo o Complexo do Nordeste de Amaralina, sem recuar."
A SSP-BA informou que o patrulhamento ostensivo e as ações de inteligência permanecem intensificados, por tempo indeterminado, no Complexo do Nordeste de Amaralina, área considerada uma das mais sensíveis para as forças de segurança em Salvador devido à atuação de organizações criminosas. A pasta também prestou assistência à família do soldado Maurício Dantas dos Santos, da Rondesp Sul, um dos feridos no ataque de sábado, e declarou que as forças de segurança não permitirão que o Estado seja subjugado pela criminalidade.
O complexo reúne os bairros do Nordeste de Amaralina, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho e Santa Cruz. A região registrou recorde histórico de violência armada em 2026, com 30 pessoas mortas entre os dias 1º de janeiro e 25 de abril, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. O número representa um aumento de 150% em relação ao mesmo período de 2025. O levantamento aponta ainda 26 tiroteios e 40 pessoas baleadas no mesmo período.
Enquanto as operações continuam, o transporte coletivo segue afetado na região. Segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), os ônibus permanecem sem circular em parte do complexo desde domingo (26), com itinerários alterados por questões de segurança. A SSP-BA reforçou que informações sobre integrantes de facções criminosas podem ser repassadas, com garantia de anonimato, por meio do Disque Denúncia 181.







