A Polícia Federal conseguiu ler mensagens de visualização única do WhatsApp que teriam sido enviadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para o empresário Daniel Vorcaro. A façanha tecnológica aconteceu durante a perícia no celular do empresário, que foi apreendido pela PF.
A história começou quando Vorcaro, antigo dono do Banco Master, foi preso preventivamente em novembro do ano passado. Na ocasião, seu celular foi confiscado pelas autoridades. Foi a análise desse aparelho que revelou as supostas conversas com o ministro do Supremo.
Mas como a PF conseguiu ver uma mensagem que some depois de aberta? A resposta não é mágica, é tecnologia. As mensagens, mesmo apagadas do chat, deixam rastros digitais no aparelho por um tempo. A polícia usou programas de perícia forense, que só órgãos de investigação têm acesso, para encontrar esses dados escondidos.
É importante entender que a PF não "reverteu" a função do WhatsApp. Ela, na verdade, recuperou dados que ainda estavam no armazenamento do celular, mas invisíveis para o usuário comum. É como encontrar um papel no lixo antes que ele seja levado pelo lixeiro: a informação ainda está lá, só precisa da ferramenta certa para ser achada.
Esses softwares, como o Cellebrite UFED e outros, são vendidos apenas para governos e agências de segurança. Eles conseguem vasculhar o celular em um nível muito profundo, mas também têm limites. Se os dados já tiverem sido sobrescritos por novas informações, a recuperação se torna impossível.
Após a notícia vazar pelo jornal O Globo, o Supremo Tribunal Federal soltou uma nota negando que Moraes fosse o destinatário das mensagens e falou em vazamento e má interpretação. O jornal, por sua vez, manteve a informação publicada.







