A Polícia Federal está com os olhos bem abertos sobre um contrato de pavimentação de R$ 20,4 milhões em Ouro Branco, em Alagoas. A investigação faz parte da Operação Overclean e aponta para um possível esquema de desvio e lavagem de dinheiro. O que chama a atenção é que os recursos para essa obra vieram de emendas ligadas ao ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, que agora é pré-candidato ao Senado pelo estado.
Esta é a primeira vez que o nome de Arthur Lira surge diretamente nas apurações do inquérito. A PF encontrou uma série de problemas no contrato, que incluíam indícios de que os valores foram inflacionados – o famoso superfaturamento. Além disso, há suspeita de uma tentativa de 'enganar' o sistema, forjando um atraso na execução da obra para que mais dinheiro pudesse ser liberado. Essa manobra, porém, teria sido barrada antes de acontecer, justamente com o início da operação.
A obra que está sob lupa seria para asfaltar uma via no município de Ouro Branco. O contrato foi assinado com a empresa Allpha Pavimentações e Serviços de Construção. A PF acredita que essa empresa seja uma das peças-chave no esquema investigado. Os donos da Allpha, os irmãos Alex Rezende Parente e Fábio Rezende Parente, são apontados como líderes dessa trama, ao lado do empresário José Marcos de Moura, mais conhecido como 'Rei do Lixo'. Moura, por sua vez, teria ligações com a cúpula do União Brasil.
Um detalhe importante é a ligação política na cidade. Ouro Branco é administrada pela prefeita Denyse Siqueira, que é aliada e correligionária de Arthur Lira. A investigação da Polícia Federal, no âmbito da Operação Overclean, busca esclarecer todas as conexões e responsabilidades.
Os recursos que financiaram a obra são oriundos do chamado 'orçamento secreto', um mecanismo que permitia a parlamentares destinar verbas públicas para suas bases eleitorais, muitas vezes sem a devida transparência sobre quem indicava e recebia esses valores. Esse tipo de emenda gerou muita controvérsia e foi alvo de questionamentos sobre a legalidade e a forma como era utilizado, abrindo portas para possíveis fraudes como a que está sendo investigada.
A Polícia Federal continua aprofundando as investigações para desvendar todas as camadas desse suposto esquema de corrupção. O objetivo é garantir que os recursos públicos, que deveriam beneficiar a população de Alagoas, sejam aplicados corretamente e que qualquer desvio seja punido conforme a lei.







