A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (3) a operação Blue Hope para investigar o circovírus, que tem causado preocupação entre as ararinhas-azuis em situação de risco de extinção na Bahia. A ação foi realizada em Curaçá, no norte do estado, e em Brasília, com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão.
As investigações indicam que as empresas envolvidas na reintrodução das ararinhas azuis na natureza supostamente não seguiram os protocolos sanitários exigidos, o que teria contribuído para a propagação do vírus. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), até agora, 31 aves foram diagnosticadas com a enfermidade, que afeta bicos e penas, sendo que 11 aves em liberdade já testaram positivo.
A gestão do Criadouro Ararinha Azul contestou os dados do ICMBio, afirmando que apenas cinco aves apresentaram circovírus em exames. O criadouro, que alega seguir rígidos protocolos de biossegurança há mais de 15 anos, foi multado em aproximadamente R$ 1,8 milhão por não cumprir as normas necessárias para a manutenção das aves.
Durante a operação, a PF apreendeu aves e equipamentos eletrônicos, além de constatar a resistência do criadouro em adotar as medidas emergenciais determinadas pelo ICMBio, como isolamento sanitário e testagem contínua das aves. Os responsáveis pelo criadouro poderão enfrentar processos por crimes ambientais, com penas que podem atingir até oito anos de prisão.
O ICMBio instaurou um Sistema de Comando de Incidente para gerenciar a situação desde a detecção do vírus em uma ararinha em maio. Os representantes do criadouro destacaram que trabalham para garantir o bem-estar dos animais e pediram acesso aos laudos técnicos que fundamentam a sanção imposta.
A continuidade da investigação pela PF e as possíveis consequências legais para os responsáveis pelo criadouro devem ser acompanhadas com atenção, uma vez que a situação representa um grande desafio para a preservação da espécie.







