A Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MPBA), deflagraram nesta quarta-feira (17) a Operação Conexão Perigosa, em Arraial d'Ajuda, distrito turístico de Porto Seguro, no sul da Bahia. Entre os alvos estão três vereadores do município, incluindo o presidente da Câmara Municipal.
São alvo da operação o presidente da Câmara, Dilmo Santiago (PL), e os vereadores Derival dos Santos Brito, conhecido como Pepo da Van (União Brasil), e Evanildo Santos Lage, o Van Van da Lage (Avante). Segundo o MPBA, os três integrariam uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, com atuação de pelo menos dez anos no sul do estado.
Dilmo Santiago é figura de longa data na política local. Natural de Arraial d'Ajuda, onde nasceu em 1967, ele iniciou sua trajetória política ainda em 1996, acumulando seis mandatos consecutivos como vereador. Na eleição de 2024, foi o segundo candidato mais votado entre os vereadores eleitos, com 2.190 votos.
Ao todo foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 97,7 milhões em ativos financeiros dos investigados e a suspensão das atividades econômicas de seis empresas. As medidas foram autorizadas pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Porto Seguro. Não houve mandado de prisão cumprido nesta fase da operação.
Segundo a Polícia Federal, a organização utilizava violência, ameaças e mecanismos de coação para intimidar moradores, agentes públicos e autoridades, além de movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas. As investigações indicam ainda que o líder do grupo mantinha contatos regulares com os três parlamentares, também alvos dos mandados.
De acordo com o Ministério Público, o esquema de lavagem funcionava em três frentes. Na primeira, chamada de colocação, eram feitos depósitos fracionados em espécie para introduzir o dinheiro no sistema financeiro sem acionar alertas automáticos. Na segunda etapa, de ocultação, o dinheiro era transferido entre contas de "laranjas" para apagar o rastro. Por fim, na integração, os valores eram reinseridos em empresas de fachada para ganhar aparência de legalidade.
O MPBA informou que as investigações vão prosseguir para apurar o eventual envolvimento de outras pessoas. Caso condenados por todos os crimes apontados, os investigados podem enfrentar penas que, somadas, ultrapassam 50 anos de reclusão.







