A Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), iniciou na manhã desta quarta-feira (28) uma grande operação chamada Litíase em Juazeiro, na Bahia. O alvo da ação é desvendar e desmantelar um esquema criminoso que teria desviado milhões de reais do Sistema Único de Saúde (SUS) através de contratos públicos manipulados na cidade.
Ao todo, 30 policiais federais estão nas ruas para cumprir seis mandados de busca e apreensão. O foco é coletar mais provas sobre as irregularidades que, segundo a investigação, começaram durante a pandemia da Covid-19 e se estenderam até o ano de 2023.
Esquema mirava contratações públicas e desvio de verbas
As investigações apontam que o grupo criminoso montou um esquema para direcionar a locação de um imóvel e outras contratações de serviços de saúde. Um dos casos mais evidentes é o aluguel de uma propriedade que não tinha especificações claras de como seriam feitos os atendimentos ou as internações. Para piorar, o local alugado era exatamente onde ficava a sede do instituto que recebeu o contrato para prestar os serviços de saúde.
Além da locação de imóveis, a apuração da PF e CGU descobriu indícios fortes de que outros processos de licitação também foram manipulados. Havia pagamentos feitos a empresas sem a comprovação de que os serviços tinham sido realmente executados. Em outras situações, não existiam informações básicas, como quais atendimentos ou exames foram realizados e em que quantidade. Essas falhas sugerem que o objetivo era desviar os recursos e não prestar o serviço de forma adequada.
Publicidade“É um golpe contra a saúde pública, pois os recursos que deveriam ser usados para cuidar das pessoas acabam no bolso de criminosos. A Operação Litíase busca justamente dar um basta nisso”, explicou um dos investigadores envolvidos na operação, reforçando a seriedade dos desvios.
A Polícia Federal informou que, no total, as contratações que estão sob investigação somam mais de R$ 13 milhões em pagamentos para as empresas envolvidas. Desse montante, uma parte considerável, quase R$ 7 milhões, veio diretamente dos cofres do SUS. Esse dinheiro, que faria falta para hospitais, medicamentos e equipes de saúde, foi supostamente desviado através do esquema fraudulento.






