A Polícia Civil de Rondônia anunciou, em coletiva de imprensa realizada na última terça-feira (3), o indiciamento do pai e da madrasta de Marta Isabelle, de 16 anos. Os responsáveis, que atuam como pastores na cidade de Porto Velho, responderão judicialmente pela morte da adolescente.
As investigações apontam que a jovem foi vítima de um processo gradual de violência e isolamento dentro da própria residência. Até o momento, a defesa técnica dos suspeitos não se pronunciou oficialmente.
A delegada responsável pelas investigações, Leisaloma Carvalho, informou que o caso foi classificado sob o artigo 121-A do Código Penal, que define o feminicídio em contextos de violência doméstica e familiar.
Além de feminicídio, os suspeitos foram indiciados por:
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Tortura com resultado morte
Cárcere privado
Maus-tratos
Omissão de socorro
As autoridades investigam a participação e o grau de responsabilidade de três familiares da vítima: Callebe José da Silva (pai), Ivanice Farias de Souza (madrasta) e Benedita Maria da Silva (avó paterna). A Polícia Civil também confirmou que o inquérito em andamento analisa indícios de que a jovem possa ter sofrido abusos sexuais.
Circunstâncias e isolamento
O inquérito revelou que o distanciamento social de Marta teve início há aproximadamente três anos. Na época, o pai a retirou do sistema escolar sob a justificativa de que a família se mudaria para a Paraíba. A informação, no entanto, era falsa e serviu para isolar a adolescente do convívio com professores e colegas.
De acordo com a polícia, as punições físicas e psicológicas aplicadas à jovem intensificaram-se ao longo do tempo. Nos últimos 60 dias, a situação tornou-se crítica. Marta passou a ser mantida amarrada pelos pulsos e restrita a uma cama. O inquérito relata privação de água, higiene e acesso à alimentação adequada, além da ausência completa de assistência médica.
A perícia inicial realizada no local indicou que a vítima foi encontrada deitada, usando uma fralda descartável e coberta por um lençol. O laudo técnico apontou desnutrição severa, exposição óssea, lesões cutâneas graves não tratadas e marcas físicas consistentes com imobilização prolongada.
Histórico da vítima
Marta Isabelle dos Santos, chamada de "Martinha" pelos parentes, nasceu na Paraíba e mudou-se ainda criança para Rondônia para viver com o pai. O restante da família permaneceu no estado nordestino e não tinha contato regular com ela.
Segundo uma tia da jovem, a última fotografia recebida pela família data de agosto de 2020. Os parentes afirmaram desconhecer o cenário de agressões e o isolamento imposto à adolescente. Marta era descrita como uma jovem sociável, que tinha o desejo de concluir os estudos e participava ativamente do coral de sua igreja.







