No dia em que o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, um pai da região de Paulo Afonso escolheu não ficar em silêncio. Ele publicou uma carta aberta relatando o sofrimento da família após a filha denunciar um suposto abuso cometido por um professor durante atividades escolares, incluindo aulas de música.
Segundo informações divulgadas pelo portal PA4, a criança retornou para casa visivelmente abalada e com medo. A família procurou a polícia imediatamente. No texto, o pai afirma que esperava agilidade nas providências e maior acolhimento das autoridades, mas relata frustração com a condução inicial do caso e questiona a ausência de medidas mais rígidas em relação ao acusado.
"Minha filha teve coragem de falar, e eu não posso deixar que a coragem dela vire silêncio", escreveu o pai na carta. O apelo resume o espírito do texto: transformar a dor privada da família em denúncia pública, justamente numa data destinada a isso.
O pai afirma ainda ter tomado conhecimento de relatos anteriores envolvendo o mesmo profissional, inclusive em outra unidade escolar de município vizinho. Ele cobra respostas das autoridades e das instituições responsáveis pela fiscalização de ambientes escolares. Segundo o relato, o processo criminal corre em segredo de Justiça, razão pela qual detalhes da investigação não podem ser divulgados. A família acompanha o andamento por meio de assessoria jurídica.
O caso ocorre em meio a um cenário nacional alarmante. Segundo o 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, mais de 80 mil casos de estupro e estupro de vulnerável foram registrados no Brasil em 2023. A maioria das vítimas eram meninas de até 13 anos, e grande parte dos casos aconteceu dentro da própria casa e foi cometida por familiares ou conhecidos.
Dados da campanha Maio Laranja apontam que, a cada hora, três crianças são abusadas no Brasil, com cerca de 51% tendo entre 1 e 5 anos de idade. Todos os anos, 500 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no país, e há dados que sugerem que apenas 7,5% dos casos chegam a ser denunciados às autoridades.
O 18 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data ligada ao Caso Araceli, ocorrido em 1973, quando uma menina de apenas 8 anos foi vítima de violência e assassinato, crime que se tornou marco histórico na luta pela proteção infantil no país. Em 2026, registra-se o 26º ano de mobilização do 18 de Maio.
A carta do pai encerra com um pedido para que casos de violência contra crianças não sejam abafados e reforça a responsabilidade coletiva da sociedade. A proteção e o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes não são tarefas apenas da família, mas da comunidade escolar, da sociedade e do poder público.
Quem tiver conhecimento de situações de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes pode e deve denunciar pelo Disque 100, serviço gratuito, anônimo e disponível todos os dias, ou diretamente ao Conselho Tutelar e às delegacias de polícia.







