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Polícia

Pai rompe o silêncio no Maio Laranja e cobra justiça por suposto abuso de professor contra filha na região de Paulo Afonso

Em carta aberta publicada no Dia Nacional de Combate ao Abuso Infantil, pai relata que a menina voltou abalada de aula de música e questiona a falta de medidas mais rígidas contra o acusado.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
18 de maio, 2026 · 15:24 3 min de leitura
Flor laranja símbolo da campanha Maio Laranja de combate ao abuso sexual infantil
Flor laranja símbolo da campanha Maio Laranja de combate ao abuso sexual infantil

No dia em que o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, um pai da região de Paulo Afonso escolheu não ficar em silêncio. Ele publicou uma carta aberta relatando o sofrimento da família após a filha denunciar um suposto abuso cometido por um professor durante atividades escolares, incluindo aulas de música.

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Segundo informações divulgadas pelo portal PA4, a criança retornou para casa visivelmente abalada e com medo. A família procurou a polícia imediatamente. No texto, o pai afirma que esperava agilidade nas providências e maior acolhimento das autoridades, mas relata frustração com a condução inicial do caso e questiona a ausência de medidas mais rígidas em relação ao acusado.

"Minha filha teve coragem de falar, e eu não posso deixar que a coragem dela vire silêncio", escreveu o pai na carta. O apelo resume o espírito do texto: transformar a dor privada da família em denúncia pública, justamente numa data destinada a isso.

O pai afirma ainda ter tomado conhecimento de relatos anteriores envolvendo o mesmo profissional, inclusive em outra unidade escolar de município vizinho. Ele cobra respostas das autoridades e das instituições responsáveis pela fiscalização de ambientes escolares. Segundo o relato, o processo criminal corre em segredo de Justiça, razão pela qual detalhes da investigação não podem ser divulgados. A família acompanha o andamento por meio de assessoria jurídica.

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O caso ocorre em meio a um cenário nacional alarmante. Segundo o 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, mais de 80 mil casos de estupro e estupro de vulnerável foram registrados no Brasil em 2023. A maioria das vítimas eram meninas de até 13 anos, e grande parte dos casos aconteceu dentro da própria casa e foi cometida por familiares ou conhecidos.

Dados da campanha Maio Laranja apontam que, a cada hora, três crianças são abusadas no Brasil, com cerca de 51% tendo entre 1 e 5 anos de idade. Todos os anos, 500 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no país, e há dados que sugerem que apenas 7,5% dos casos chegam a ser denunciados às autoridades.

O 18 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data ligada ao Caso Araceli, ocorrido em 1973, quando uma menina de apenas 8 anos foi vítima de violência e assassinato, crime que se tornou marco histórico na luta pela proteção infantil no país. Em 2026, registra-se o 26º ano de mobilização do 18 de Maio.

A carta do pai encerra com um pedido para que casos de violência contra crianças não sejam abafados e reforça a responsabilidade coletiva da sociedade. A proteção e o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes não são tarefas apenas da família, mas da comunidade escolar, da sociedade e do poder público.

Quem tiver conhecimento de situações de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes pode e deve denunciar pelo Disque 100, serviço gratuito, anônimo e disponível todos os dias, ou diretamente ao Conselho Tutelar e às delegacias de polícia.

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