O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou o pedido da defesa do empresário Dirceu di Domenico para retirá-lo da lista de réus da Operação Faroeste. O empresário, ligado ao agronegócio, é investigado por envolvimento em um esquema de venda de sentenças e grilagem de terras no oeste da Bahia.
A investigação da Polícia Federal revelou que Domenico sacou R$ 1,2 milhão em espécie e distribuiu o valor para Adailton Maturino, apontado como o mentor do esquema, e sua esposa, Geciane Maturino. Segundo o Ministério Público Federal, o dinheiro teria sido usado para comprar uma decisão favorável em um processo de regularização de terras.
A defesa do empresário alegou que os repasses eram referentes a negócios legais de compra e venda de terrenos. Os advogados sustentaram que não havia provas concretas para a ação penal e que o cliente estaria sendo responsabilizado com base em suposições.
No entanto, o ministro do STJ destacou que o próprio empresário já admitiu, em depoimento anterior, que enviava valores para que a dupla atuasse em processos de terras ocupadas ilegalmente. Para o relator, há indícios claros de que o dinheiro serviu para alimentar a organização criminosa.
O caso envolve ainda a desembargadora aposentada Maria da Graça Osório Pimentel Leal, que teria recebido propina para dar decisões favoráveis ao empresário. Ela foi afastada do cargo em 2019 e se aposentou compulsoriamente em 2023 ao atingir a idade limite.
A Operação Faroeste continua sendo uma das maiores investigações sobre corrupção no Judiciário baiano, focada em um esquema que movimentou milhões para legalizar áreas griladas de aproximadamente 360 mil hectares.







