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Mulher é obrigada a “casar” com membro do CV antes do marido ser executado

Sequestro em VG: Mulher é submetida a "casamento" forçado com membro do CV e testemunha a execução do marido.

Redação ChicoSabeTudo
08 de dezembro, 2025 · 18:33 5 min de leitura
Imagem: Reprodução/VG Notícias
Imagem: Reprodução/VG Notícias

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, investiga um caso de sequestro, tortura e homicídio ligado à disputa entre facções criminosas que resultou na morte de José Wallefe dos Santos Lins, 28 anos. Antes de ser executado, ele presenciou a esposa ser obrigada a aceitar um “casamento” com um integrante do Comando Vermelho (CV) para permanecer viva, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso.

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O crime é apurado no contexto da Operação Ditadura Faccional CPX, deflagrada para desarticular um grupo apontado como responsável por homicídios e outros crimes em Cuiabá e Várzea Grande.

Sequestro de família e execução do marido

De acordo com informações divulgadas pela DHPP e pela Polícia Civil, José Wallefe, sua companheira, de 27 anos, e o filho do casal, de um ano de idade, foram sequestrados em 9 de agosto deste ano, no bairro Jacarandá, em Várzea Grande. O crime teria sido cometido por integrantes do Comando Vermelho, que suspeitavam de uma ligação da vítima com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo o delegado Nilson André Faria de Oliveira, titular da DHPP, os criminosos submeteram a família a violência física e psicológica. A esposa teve o braço quebrado para que os criminosos conseguissem acessar o celular de José e foi mantida sob ameaças constantes durante o cativeiro, junto com o filho pequeno. As informações constam em entrevista do delegado à imprensa local.

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Ainda conforme a investigação, a mulher e o bebê foram libertados em 14 de agosto nas proximidades da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Ipase, em Várzea Grande. Ela apresentava diversas lesões pelo corpo, enquanto a criança foi encontrada em bom estado de saúde. Dias depois, em 20 de agosto, o corpo de José Wallefe foi localizado em uma cova rasa nos fundos do Residencial Isabel Campos, também em Várzea Grande, com múltiplos ferimentos provocados por arma branca, de acordo com a Polícia Civil.

Uma amiga da família, que também teria sido sequestrada no mesmo contexto, segue desaparecida, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, que mantém investigação paralela sobre o paradeiro da vítima.

Obrigada a “casar” com faccionado para continuar viva

O delegado Nilson André relatou que, antes da execução, José foi obrigado a assistir à esposa aceitar um “casamento” com outro integrante da facção como condição para que ela não fosse morta. O ato, segundo a polícia, foi utilizado pelos criminosos para impor controle, humilhação e subjugação sobre a família.

Após o homicídio de José, a mulher foi forçada a conviver com o faccionado com quem foi “casada” e, segundo a investigação, passou a viver sob vigilância, ameaças e restrições severas de liberdade. A DHPP apura que a vítima desenvolveu quadro compatível com síndrome de Estocolmo, identificada quando pessoas submetidas a longos períodos de violência e cativeiro criam laços afetivos ou de lealdade em relação ao agressor. Em depoimentos, a mulher não revelou a identidade nem o paradeiro do criminoso com quem foi obrigada a conviver, o que dificulta a localização do suspeito, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso.

A Polícia Civil trata o episódio como exemplo da chamada “ditadura faccional” imposta por grupos criminosos em áreas onde mantêm forte influência, restringindo a liberdade das vítimas e interferindo diretamente em suas relações familiares e comunitárias.

Disputa entre facções e motivação do crime

As investigações da DHPP indicam que José Wallefe foi morto por suspeita de ligação com o PCC, facção rival do Comando Vermelho. Uma tatuagem do personagem Tio Patinhas, associada por criminosos a simbologia ligada ao PCC, teria chamado a atenção dos faccionados e agravado a situação da vítima.

Segundo a matéria, José teria sido torturado e executado após ser reconhecido pelas tatuagens, em meio a uma tentativa de observar a movimentação de integrantes da facção em relação a outra pessoa. Ainda conforme o portal, embora tivesse passagens criminais e uma prisão anterior em 2019 por armas e drogas em Maragogi (AL), ele estaria trabalhando como açougueiro em Mato Grosso e não havia indícios, segundo a polícia, de envolvimento recente com o crime organizado, o que reforça a linha de investigação de que ele vinha tentando se afastar da criminalidade.

O caso ocorre em meio à expansão da atuação de facções nacionais, como Comando Vermelho e PCC, em diferentes estados brasileiros. O Comando Vermelho está presente em presídios de 25 unidades da federação e usa alianças, inclusive com grupos rivais, para ampliar o controle territorial e as rotas do tráfico, o que aumenta a tensão em áreas urbanas e de fronteira.

Operação Ditadura Faccional CPX e alvos identificados

Para apurar a execução de José Wallefe, o sequestro da família e outros homicídios atribuídos ao mesmo núcleo criminoso, a Polícia Civil deflagrou a Operação Ditadura Faccional CPX. A ação cumpre 11 mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em Cuiabá e Várzea Grande.

De acordo com a DHPP, ao menos 11 pessoas estariam diretamente envolvidas no sequestro, na tortura, no homicídio e na ocultação de cadáver de José. Parte dos suspeitos já foi presa e apresentada à Justiça; outros seguem foragidos, entre eles uma mulher e dois homens.

O principal alvo da operação, Bruno César Amorim, conhecido como “Vasco”, apontado pela Polícia Civil como mandante do homicídio de José, morreu em confronto com equipes da Polí­cia Judiciária Civil no bairro Jequitibá, em Várzea Grande, durante o cumprimento de mandado. Ele era investigado também por outros casos de tortura e homicídios atribuídos à facção.

A operação integra um conjunto de ações de segurança pública em Mato Grosso voltadas ao enfrentamento de facções criminosas, incluindo investigações sobre sequestros, extorsões, ocultação de cadáver e controle de territórios urbanos.

Continuidade das investigações

Além da morte de José, a Polícia Civil segue investigando o desaparecimento da amiga da família, levada pelos criminosos no mesmo contexto do sequestro. A condição psicológica da esposa, forçada a conviver com um dos suspeitos após a execução do marido, também é objeto de atenção das autoridades, que buscam garantir medidas de proteção e acompanhamento às vítimas sobreviventes.

A DHPP mantém diligências para identificar e localizar todos os envolvidos no crime, inclusive o faccionado com quem a mulher foi obrigada a se “casar”. A Operação Ditadura Faccional CPX continua em andamento com o objetivo de cumprir mandados de prisão e busca e apreensão, além de reunir provas sobre a atuação do grupo em Várzea Grande e Cuiabá, bem como esclarecer o destino das demais vítimas relacionadas ao caso.

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