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Polícia

MP investiga juiz, promotor e delegados por propina no Pará

O MP do Pará investiga juiz, promotor e delegados da Polícia Civil por propina e manipulação de processos em Belém, revelando um esquema.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
11 de janeiro, 2026 · 10:25 3 min de leitura
Foto: Reprodução / Google Maps
Foto: Reprodução / Google Maps

Uma séria investigação do Ministério Público do Pará (MPPA) mira em nomes de peso da justiça e segurança pública do estado. Dois delegados da Polícia Civil, um promotor de Justiça e um juiz são alvos de apurações por um suposto esquema de corrupção que envolve manipulação de processos e cobrança de propina de pessoas investigadas em Belém, no Pará.

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Além dos agentes públicos, outros servidores, advogados e assessores também estão sob suspeita de participar das irregularidades. O escândalo revelado pelo MPPA aponta para uma verdadeira “associação criminosa” que, segundo o órgão, teria se instalado no coração do Ministério Público, da Polícia Civil e do Judiciário do estado, comprometendo a confiança no sistema de justiça.

Como funcionava o esquema de propina e manipulação

As investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelam que o grupo supostamente identificava pessoas em potencial para cobrar dinheiro ou benefícios ilegais. Em seguida, agia para assumir processos ou abrir investigações policiais, usando-as como uma forma de pressão. O alvo eram casos variados, como dívidas civis, acidentes de trânsito e até situações envolvendo influenciadores digitais ligados a jogos de aposta.

Um dos episódios mais chocantes envolveu influenciadores de jogos de aposta, onde o valor da propina teria chegado a R$ 547 mil. O delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo, apontado como a peça central do esquema, é suspeito de abrir inquéritos sobre casos de inadimplência e desacordos comerciais, que normalmente seriam da esfera cível, para simular uma cobrança de valores. O relatório do MPPA, com impressionantes 552 páginas, detalha que o núcleo liderado por Arthur teria movimentado cerca de R$ 4 milhões de forma irregular desde 2021.

Suspeitos afastados e sigilos quebrados

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Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público pediu o afastamento dos envolvidos de seus cargos, a quebra de sigilos bancário e fiscal, e a realização de buscas. A desembargadora Eva do Amaral Coelho acatou os pedidos em uma decisão de 12 de dezembro. Ela determinou buscas e apreensões em imóveis de 12 investigados, a quebra de sigilo de 14 pessoas e o afastamento imediato de dois delegados e um promotor de Justiça.

  • Os delegados suspensos são: Arthur Afonso Nobre de Araújo, considerado a figura principal da trama, e Carlos Daniel Fernandes de Castro, que era diretor metropolitano da Polícia Civil.
  • O promotor afastado é Luiz Márcio Teixeira Cypriano.
  • O juiz Jackson Sodré Ferraz também está sob investigação. A Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de sua esposa e filho, que são suspeitos de receber vantagens indevidas.
  • A promotora Juliana Dias Nobre, esposa do delegado Arthur, também é investigada sob suspeita de movimentar dinheiro ilícito em contas pessoais.

O que dizem os envolvidos

O Ministério Público do Pará informou que as investigações já duram mais de um ano e seguem sob a condução do Gaeco. O órgão espera reunir provas suficientes para punir “todos os envolvidos que tiverem cometido algum crime”.

A Polícia Civil do Pará declarou que, assim que notificada, instaurou um processo disciplinar e afastou os delegados. Já o Tribunal de Justiça do Pará afirmou que não comenta investigações em andamento.

A defesa do promotor Luiz Márcio Teixeira Cypriano disse que ainda não teve acesso completo ao processo e, por isso, não vai se manifestar. A defesa do delegado Carlos Daniel Fernandes de Castro reafirmou a inocência do investigado, citando que o processo corre em sigilo. A defesa do juiz Jackson Sodré Ferraz negou as acusações e garantiu que as supostas irregularidades “não se sustentam diante de um contraditório justo”.

O relatório do MPPA é claro ao descrever o caso como uma “completa inversão do exercício de suas funções”, onde os integrantes do grupo agiram para enriquecimento ilícito através da cobrança de propinas e manipulação de processos.

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