Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Polícia

MP-BA denuncia Binho Galinha e 12 por organização em Feira de Santana

MP-BA denuncia o deputado Kléber 'Binho Galinha' e 12 pessoas por organização criminosa em Feira de Santana; acusação inclui lavagem, agiotagem e núcleo armado.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
31 de outubro, 2025 · 03:48 3 min de leitura
Foto: Reprodução / Redes sociais
Foto: Reprodução / Redes sociais

O Ministério Público do Estado da Bahia apresentou, nesta quinta-feira (30), uma nova denúncia contra o deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, o Binho Galinha, e outras 12 pessoas. Segundo a peça, todos são acusados de integrar uma organização criminosa em Feira de Santana (BA).

Publicidade

De acordo com o MP-BA, o parlamentar — que esteve preso por cerca de 25 dias — teria liderado o grupo por mais de uma década, com atuação na cidade e em municípios vizinhos. A denúncia também incorpora fatos apurados nas operações El Patrón e Hybris, deflagradas pela Polícia Federal e pelo Gaeco.

“Não se configura dupla imputação, uma vez que se trata de fatos distintos, ainda que relacionados à mesma tipificação penal, desde que haja continuidade delitiva após o marco interruptivo representado pelo recebimento da primeira denúncia”, disse o MP-BA.

Entre os crimes apontados estão organização criminosa armada, lavagem de capitais, exploração clandestina de jogos de azar, agiotagem, extorsão majorada, receptação qualificada e embaraço à investigação. O Ministério Público pede, em caso de condenação, reparação por danos morais coletivos, perdimento de bens, perda de cargo público e interdição de função — medidas que incluem o deputado e quatro denunciados que são policiais militares.

Como o grupo teria funcionado

Segundo a denúncia, Kléber assumiu a liderança em 2013, após a morte do antigo chefe Oldair José da Silva Mascarenhas, conhecido como Dainho. As atividades teriam começado em bancas de jogo do bicho em Feira de Santana e se expandido para empréstimos ilegais (agiotagem), receptação de bens por meio de uma sucata local e operações de lavagem de dinheiro.

Publicidade

O MP descreve uma estrutura ramificada, com núcleos operacionais distintos e um “Núcleo Armado” responsável por segurança e ações violentas. Como isso se mantinha? Pelo uso de interpostas pessoas (laranjas) para movimentar dinheiro e adquirir bens de alto valor, segundo a peça.

Parte das provas apresentadas inclui mensagens e arquivos que, conforme o Ministério Público, mostram a divisão de funções e as operações financeiras feitas por terceiros. Algumas provas vieram de compartilhamento de dados com a Polícia Federal e quebras de sigilo bancário.

Quem foi denunciado

Ao todo, 13 pessoas aparecem na nova peça: dez denunciadas pela primeira vez e três já citadas em investigações anteriores. Além do deputado e de familiares, o MP relacionou, entre outros:

  • Cristiano de Oliveira Machado — organização criminosa e lavagem de capitais;
  • Allan Silva e Silva (policial militar) — organização criminosa, integrante do Núcleo Armado;
  • Wildson Nunes de Oliveira (policial militar) — organização criminosa, integrante do Núcleo Armado;
  • Thiago Almeida Santos (policial militar) — organização criminosa, integrante do Núcleo Armado;
  • André Santos da Silva (policial militar) — organização criminosa e embaraço à investigação;
  • Geisiel Pereira dos Santos — organização criminosa;
  • Muller Santos Souza — organização criminosa e agiotagem;
  • Anailson de Almeida Silva — organização criminosa e agiotagem;
  • Alan Nascimento de Jesus — organização criminosa e agiotagem;
  • Bruno Borges França — lavagem de capitais e extorsão.

O Ministério Público registra que, mesmo após o início das investigações, o grupo teria continuado a movimentar recursos por meio de laranjas, comprado veículos de alto valor e mantido a gestão dos negócios.

Com a apresentação da nova denúncia, o processo seguiu para a Justiça. Agora, serão analisadas as medidas requeridas pelo MP-BA no curso das ações penais e cautelares relacionadas às investigações.

Leia também