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Polícia

MP-AC processa Estado do Acre por mortes no 'Crime da Motosserra'

O MP-AC processa o governo do Acre, pedindo R$ 2 milhões e pensão vitalícia à família de vítimas do 'Crime da Motosserra' de 1996, cometido por agentes estatais.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
19 de janeiro, 2026 · 13:29 2 min de leitura
Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre
Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

O Ministério Público do Acre (MP-AC) entrou com um processo na Justiça pedindo que o governo do estado seja responsabilizado pelas mortes de Agilson Firmino dos Santos, conhecido como "Baiano", e de seu filho, Wilder Firmino dos Santos, ocorridas em 1996. O caso ficou tristemente conhecido como "Crime da Motosserra" e, agora, o MP-AC busca uma indenização milionária e uma pensão vitalícia para a família das vítimas.

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A ação foi protocolada na Vara da Fazenda Pública de Rio Branco, no Acre. O Ministério Público argumenta que os assassinatos foram cometidos por um grupo de extermínio que agia com o apoio de agentes do próprio Estado. Segundo o processo, esse grupo era comandado pelo então deputado federal Hildebrando Pascoal Nogueira Neto e contava com a participação de policiais civis e militares que estavam trabalhando na época.

Por que o Estado é responsabilizado?

Para o MP-AC, o governo do Acre tem o dever de reparar os danos causados porque a estrutura do Estado foi usada para cometer os crimes. Uma das provas apresentadas é o fato de que, naquele tempo, o primo de Hildebrando, Aureliano Pascoal Duarte Pinheiro Neto, era o comandante-geral da Polícia Militar do Acre. Essa ligação, de acordo com o órgão ministerial, mostra uma omissão grave do Estado diante de violações de direitos humanos praticadas por seus próprios agentes.

Apesar da condenação dos criminosos envolvidos, o Ministério Público enfatiza que essa punição não é suficiente para compensar o sofrimento e os prejuízos morais, psicológicos e materiais que a família Firmino dos Santos ainda carrega. Segundo o MP, as sequelas emocionais são sentidas até hoje.

O que o MP-AC está pedindo?

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No processo, o Ministério Público pede que a Justiça condene o Estado a pagar R$ 2 milhões em indenizações, divididos da seguinte forma:

  • R$ 1 milhão por dano moral familiar, para cobrir o grande sofrimento pela perda violenta de pai e filho.
  • R$ 1 milhão por dano moral coletivo. Esse valor, se aprovado, seria usado em projetos educativos e de preservação da memória sobre violações de direitos humanos, ajudando a conscientizar a sociedade.

Além da indenização, a ação também solicita:

  • Uma pensão mensal vitalícia no valor de um salário mínimo para os familiares, com efeitos retroativos desde 1996, ano dos crimes.
  • A realização de um ato público oficial onde o governo do Acre peça desculpas às vítimas e à sociedade, divulgando esse pedido em seus canais de comunicação institucionais.

O documento do MP-AC lembra que, em 2015, já houve uma tentativa de resolver a situação de forma administrativa. Naquela ocasião, o Ministério Público encaminhou um projeto de lei ao governo do estado para conceder uma pensão à viúva e aos filhos das vítimas, mas a iniciativa não teve sucesso.

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