O motorista Abel Ferreira de Souza, que conduzia o ônibus no acidente fatal na rodoviária de Itambé, veio a público esclarecer o que aconteceu antes da colisão. Ele alega que sofreu um mal súbito no momento em que manobrava o veículo, perdendo a consciência antes de atingir as vítimas.
Segundo o relato do condutor, ele havia solicitado que as pessoas se afastassem para encostar o ônibus. Ao sentar no banco, sentiu uma tontura e sua visão escureceu. Abel afirma que só percebeu a gravidade da situação quando foi alertado pelo cobrador, após o impacto que tirou a vida de duas mulheres.
O ponto mais grave da denúncia envolve a empresa Rota Transportes. O motorista afirma que a companhia tinha conhecimento de seu esgotamento físico. Ele revelou que, dias antes, foi chamado pela psicóloga da empresa após o monitoramento por câmeras flagrar momentos em que ele cochilava durante o serviço.
Abel atribui o 'apagão' à rotina de 'bate e volta' na linha Itabuna x Porto Seguro. Em seu desabafo, ele detalha que muitas vezes tinha apenas 40 minutos de descanso antes de iniciar uma nova viagem, sugerindo que o excesso de jornada causou o colapso físico.
Apesar de apontar as condições de trabalho, o motorista pediu perdão às famílias de Danyele Jeniffer Ramos Santana, de 20 anos, e Janete Silva Oliveira, de 51 anos, que morreram no local. Outras pessoas ficaram feridas, incluindo dois irmãos que sofreram amputações.
Agora, a Polícia Civil deve investigar a responsabilidade da empresa. O foco será entender por que o motorista continuou escalado para viagens longas, mesmo após o setor de monitoramento ter detectado sinais claros de exaustão e sonolência ao volante.







