A morte de Aline da Silva Fernandes, de 43 anos, trouxe à tona um cenário de horror no Centro Terapêutico Família Camaçari. A interna faleceu no último sábado (21) após ser atingida por um soco durante uma briga dentro da unidade. O caso é apenas a ponta de um iceberg que envolve denúncias graves de maus-tratos e falta de higiene.
Além de Aline, a polícia investiga a morte de Leandro Araújo de Andrade. O homem, que sofria de transtornos psíquicos, foi encontrado com marcas no pescoço após sete meses de internação. Nas redes sociais, a clínica vende uma imagem de luxo com terapia em jet-ski e contato com animais, mas o relato de familiares descreve uma realidade brutal.
Ex-internos e parentes denunciam que os pacientes sofrem agressões físicas constantes, incluindo golpes de 'mata-leão'. Há relatos de uma adolescente de 16 anos que teria sido agredida por funcionários. O isolamento em cômodos fechados por dias e a privação de alimentos também fazem parte das queixas levadas às autoridades.
A estrutura do local é outro ponto crítico. Denúncias apontam a presença de insetos e ratos nas áreas de convivência, além da ausência de acompanhamento médico e terapêutico adequado. Muitos familiares precisaram recorrer à Justiça para conseguir retirar seus parentes do local devido ao estado de desnutrição e ferimentos visíveis.
Em nota, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) negou que realize o encaminhamento de pacientes do estado para esta unidade. O caso já foi levado ao Ministério Público para apuração das responsabilidades criminais e administrativas.
Até o momento, a direção do Centro Terapêutico Família Camaçari não se manifestou sobre as acusações de violência e negligência. O espaço segue aberto para os esclarecimentos da instituição.







