O cabo Deivison dos Santos Ferreira, do 6º Batalhão de Polícia do Exército (6º BPE), é investigado por suspeita de fornecer armas, munições e granadas a facções criminosas. Ele está preso preventivamente desde agosto, por decisão da Justiça Militar, em uma investigação relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos, segundo o Comando da 6ª Região Militar.
Paulo Afonso aparece na apuração como cidade onde militares do 6º BPE participaram de um exercício de adestramento da 6ª Região Militar, em outubro de 2025. Após essa atividade, o Exército instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar um eventual desvio de munição. Segundo reportagem que teve acesso a mensagens da investigação, o nome da cidade também é citado em conversas ligadas ao caso como referência a treinamentos, mas não há confirmação de que negociações ou entregas de material tenham ocorrido ali.
A suspeita de venda de munições veio à tona após a análise do celular de Gabriel Reis Oliveira, apontado como comprador e revendedor de armas e drogas para facções. De acordo com a Polícia Civil, as mensagens indicam que o cabo teria negociado cerca de mil munições de fuzil, dos calibres 5,56 e 7,62, para um dos grupos investigados. A quantidade de granadas eventualmente envolvida ainda não foi estabelecida.
Segundo as apurações, o militar usava apenas um emoji para se identificar nas conversas, mas acabou reconhecido depois de compartilhar dados pessoais, como CPF e a chave Pix usada para receber pagamentos.
O Exército afirmou, em nota, que não foi constatado desvio de armamento orgânico do 6º BPE e que a unidade não possui nem realiza adestramento com granadas de mão de efeito explosivo letal. Segundo o batalhão, os exercícios utilizam apenas granadas de gás lacrimogêneo e artefatos de luz e som, ambos de emprego não letal.
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia (MPBA) seguem em andamento para definir a quantidade exata de material que teria sido negociado e esclarecer os demais pontos do caso.







