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Polícia

Justiça determina soltura de ex-diretora suspeita de facilitar fuga de 16 detentos na Bahia

Justiça libera Joneuma Silva Neres, suspeita de ajudar na fuga de 16 presos em Eunápolis e de manter relacionamento com chefe da facção.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
17 de março, 2026 · 13:53 3 min de leitura
Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) concedeu, nesta semana, o alvará de soltura para Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis. A decisão foi formalizada na segunda-feira (16) e a previsão é que ela deixe a unidade prisional de Itabuna, onde estava custodiada, nesta terça-feira (17), acompanhada de sua filha.

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Joneuma é investigada por suposta facilitação na fuga de 16 detentos, ocorrida em dezembro de 2024. A ex-gestora, que foi a primeira mulher a dirigir uma unidade prisional no estado, estava presa preventivamente desde o início deste ano após desdobramentos de investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela Polícia Civil.


O contexto da fuga e a operação policial

A evasão dos internos aconteceu em dezembro de 2024, em uma ação coordenada que envolveu fatores internos e externos. Segundo o comando da Polícia Regional, o grupo utilizou duas frentes de ação:

  • Ação Interna: Detentos perfuraram o teto da cela 44 para acessar a área externa.

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    Ação Externa: Cerca de oito homens armados cercaram o presídio, efetuando disparos contra as guaritas para dar cobertura aos fugitivos, que utilizaram cordas para descer os muros.

Na ocasião, um fuzil calibre 5.56 de fabricação norte-americana e carregadores foram abandonados no local. Desde então, as autoridades realizam operações sucessivas para localizar os envolvidos. No dia 4 de março de 2025, novos mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na apreensão de drogas e documentos.


Investigação e acusações de irregularidades

O processo movido pelo Ministério Público detalha que a gestão de Joneuma Silva Neres teria sido marcada por concessões irregulares a líderes de organizações criminosas. De acordo com depoimentos de ex-funcionários, como o antigo coordenador de segurança da unidade, a diretora permitia a entrada de itens proibidos e facilitava visitas sem a devida inspeção.

As principais suspeitas indicam:

  • Relação com liderança: Joneuma manteria um vínculo romântico com Ednaldo Pereira Souza, conhecido como "Dadá", apontado como chefe de uma facção local. Relatos apontam encontros frequentes e reservados entre ambos na sala de videoconferências da unidade.

  • Regalias: Autorização para entrada de ventiladores, freezers e sanduicheiras para determinados detentos.

  • Omissão sobre ferramentas: A investigação aponta que agentes penais alertaram sobre barulhos de perfuração no teto dias antes da fuga, mas a inspeção teria sido retardada por ordem da diretoria. Uma furadeira, que teria sido usada no plano, foi encontrada e supostamente mantida na sala da gestora antes de ser retirada da unidade.


Situação atual dos detentos

Dos 16 fugitivos originais, o cenário atual de buscas e capturas apresenta os seguintes dados:

  • Recapturado: Valtinei dos Santos Lima ("Dinei"), localizado em setembro de 2025.

  • Óbitos em Confronto: Anailton Souza Santos ("Nino"), em Eunápolis, e Rubens Lourenço dos Santos ("Binho Zoião"), durante operação no Rio de Janeiro.

  • Foragidos (13 nomes): Ednaldo Pereira Souza (Dadá), Sirlon Risério Dias Silva (Saguin), Altieri Amaral de Araújo (Leleu), Mateus de Amaral Oliveira, Geifson de Jesus Souza, Anderson de Oliveira Lima, Fernandes Pereira Queiroz, Giliard da Silva Moura, Romildo Pereira dos Santos, Thiago Almeida Ribeiro, Idário Silva Dias, Isaac Silva Ferreira e William Ferreira Miranda.


Mudanças na gestão prisional

Após os eventos de 2024 e um atentado registrado em maio de 2025 contra o então diretor substituto, Jorge Magno Alves — que não ficou ferido, embora seu motorista tenha sido atingido —, o Governo do Estado promoveu mudanças na cúpula do presídio. Em agosto de 2025, Fabrizio Gama e Narici assumiu a direção da unidade, com Sergio Vinicius Tanure dos Santos como adjunto, visando reestruturar a segurança e os protocolos disciplinares do Conjunto Penal de Eunápolis.

A defesa de Joneuma Silva Neres ainda não se pronunciou publicamente sobre o teor das acusações de relacionamento com detentos, mantendo a linha de que as provas serão discutidas no decorrer do processo judicial.

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