A Polícia Civil de Minas Gerais investiga a morte de cinco pessoas da mesma família em Juiz de Fora, na Zona da Mata, em um crime ocorrido no bairro Santa Cecília. Um homem de 42 anos é apontado como autor dos ataques e, segundo as autoridades, confessou o crime à Polícia Militar no momento da prisão e manteve a versão em depoimento prestado à Polícia Civil.
Conforme apuração divulgada por veículos que acompanharam o caso, o suspeito foi ouvido na tarde de quarta-feira (8). A delegada responsável, Camila Miller, informou que ele reafirmou a confissão, não demonstrou arrependimento e disse que “fez o que tinha que fazer”. A Polícia Civil informou que ele deve responder por cinco homicídios qualificados. A motivação, até a última atualização, seguia sob investigação.
Quem são as vítimas
As vítimas foram mortas a facadas em um conjunto de casas no mesmo terreno, na Rua Rita Monteiro, e encontradas por um parente, segundo a Polícia Militar. Entre os mortos está João Batista Fernandes Souza, de 74 anos, pastor evangélico aposentado e pai do suspeito. Também morreram Mônica dos Santos Souza, de 44 anos, e Rachel dos Santos Souza, de 47 anos, filhas do pastor; Gabriel Souza Costa, de 5 anos, filho de Rachel e neto do pastor; além de Neide Fernandes de Faria Souza, de 63 anos, companheira do pastor aposentado e madrasta do suspeito.
Sequência dos ataques
Imagens de câmeras de monitoramento e informações do boletim de ocorrência indicam que o ataque começou por volta das 6h de quarta-feira (8). O suspeito teria esperado do lado de fora da residência até que a irmã de 47 anos abrisse o portão para sair ao trabalho; nesse momento, ela teria sido esfaqueada e empurrada para dentro do imóvel.
Em seguida, o homem teria avançado pelo corredor e atacado a madrasta. Depois, entrou na primeira casa e matou o pai, que estava deitado no quarto.
A outra irmã, de 44 anos, que morava nos fundos do terreno, teria saído de casa e ido até a residência dos pais, onde foi morta na cozinha. Na sequência, o suspeito foi até o imóvel dessa irmã e matou o sobrinho, de 5 anos, que estava na cama.
Como as vítimas foram encontradas e o trabalho da perícia
As vítimas foram localizadas por um parente, segundo a PM. A perícia técnica constatou ferimentos provocados por faca, especialmente nas regiões do pescoço e do rosto. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), e a perícia da Polícia Civil esteve no local para coleta de vestígios e demais procedimentos.
Prisão e apreensões
Após ser identificado como principal suspeito, o homem foi localizado pela Polícia Militar no apartamento onde mora, no bairro Santa Terezinha. Ao ser questionado pelos policiais, ele confessou o crime, conforme registros divulgados sobre a abordagem.
De acordo com relato do síndico do prédio, o suspeito teria saído de casa por volta das 3h30 e retornado cerca de quatro horas depois. No imóvel, a polícia apreendeu duas facas táticas dentro de um balde. Também foram encontradas roupas usadas no crime — como bota, casaco e calça — molhadas no banheiro e na máquina de lavar, o que, segundo a polícia, indicaria tentativa de retirar vestígios.
O que relataram familiares e o que diz a Polícia Civil sobre possível transtorno
Familiares informaram à polícia que o homem apresentava mudança de comportamento social havia aproximadamente um ano, com dificuldade para manter empregos e o hábito de encarar pessoas de forma considerada intimidadora. Eles também relataram que, apesar de uma discussão com o pai cerca de seis meses antes, o convívio recente parecia sem conflitos e que o suspeito chegou a passar as festas de fim de ano com os parentes.
A Polícia Civil afirmou que, apesar dos relatos, não havia laudo médico confirmando diagnóstico ou especificando eventual transtorno psicológico. Ainda segundo a corporação, um exame para possível diagnóstico poderá ser solicitado à Justiça pela defesa. Até a última atualização, o homem ainda não tinha advogado constituído.
Próximos passos da investigação
A Delegacia de Homicídios de Juiz de Fora segue com a apuração para esclarecer a motivação e reunir elementos técnicos e testemunhais. Duas pessoas já prestaram depoimento, segundo a delegada Camila Miller, e os procedimentos seguem em tramitação. O sepultamento das vítimas estava previsto para a manhã desta quinta-feira (8), em Juiz de Fora.








