Uma quadrilha de criminosos conseguiu usar logins e senhas reais de juízes para entrar nos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e liberar, de forma irregular, quatro presos em Belo Horizonte, em Minas Gerais. O caso chocante veio à tona depois que os detentos saíram “pela porta da frente” de uma unidade prisional no último sábado (20).
Apesar do susto, as ordens de soltura falsas foram descobertas e canceladas em menos de 24 horas. As autoridades rapidamente agiram para desfazer o estrago e começaram uma investigação para entender como tudo aconteceu e evitar que se repita.
Como a fraude aconteceu?
As investigações mostraram que não houve um ataque direto para quebrar a segurança dos sistemas do CNJ. O que aconteceu foi que os criminosos usaram credenciais – ou seja, nomes de usuário e senhas – que eram legítimas e pertenciam a juízes de verdade. Ainda não se sabe como essa quadrilha conseguiu acesso a esses dados tão importantes, mas com eles em mãos, conseguiram entrar nos sistemas como se fossem as próprias autoridades.
Com esse acesso privilegiado, os hackers puderam simular decisões judiciais. Eles inseriram ordens falsas, mudaram informações de processos e mexeram em dados que só deveriam ser alterados por magistrados em suas funções. Um dos pontos principais da fraude foi o Banco Nacional de Mandados de Prisão, uma ferramenta do CNJ. As ordens falsificadas foram colocadas lá e, dali, seguiram o caminho normal do sistema, como se fossem reais, até chegarem aos responsáveis por executá-las.
Foi assim que a Secretaria de Justiça de Minas Gerais, que cuida do sistema prisional, recebeu as informações. Como as ordens pareciam de verdade, quatro detentos acabaram soltos, sem que ninguém desconfiasse da irregularidade naquele momento.
Prisão e busca pelos foragidos
Dos quatro presos que foram soltos de forma irregular, um já foi recapturado. Os outros três – identificados como Ricardo Lopes de Araujo, Wanderson Henrique Lucena Salomão e Nikolas Henrique de Paiva Silva – continuam foragidos. O mais curioso é que todos esses quatro tinham sido presos dias antes, em 10 de dezembro, justamente por suspeita de fazer parte da mesma organização criminosa que acessa ilegalmente o sistema da Justiça.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que todas as ordens de soltura falsas foram anuladas, e os mandados de prisão originais foram restabelecidos. As forças de segurança já foram acionadas e estão trabalhando para encontrar e prender novamente os criminosos que ainda estão na rua.
O que o CNJ e o governo de Minas disseram?
O CNJ garantiu que não houve ataque direto aos seus sistemas, nem falha na estrutura deles. O problema foi o uso enganoso de credenciais verdadeiras, e não há indícios de que algum servidor tenha se envolvido na fraude.
Como uma resposta rápida, o governo de Minas Gerais anunciou que vai atrasar o cumprimento de novas ordens de soltura. Essa medida serve para que a autenticidade de cada decisão judicial possa ser checada com muito cuidado, evitando novas fraudes. Enquanto isso, a Secretaria de Segurança Pública e o próprio TJMG continuam investigando o caso a fundo para descobrir os responsáveis e garantir que situações assim não aconteçam de novo.







