O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi arrastado para o centro de uma investigação pesada que envolve a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida no final de 2024. De acordo com o depoimento de Joneuma Silva Neres, ex-diretora da unidade, Geddel teria uma fatia de R$ 1 milhão para receber em um esquema de propina.
A delação premiada indica que o valor total da negociação com uma facção criminosa era de R$ 2 milhões. O acerto teria sido feito com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, que na época era do mesmo partido de Geddel, o MDB. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) agora considera fundamental aprofundar as investigações para confirmar o destino do dinheiro.
Nas mensagens analisadas pela polícia, Geddel era tratado como "chefe" e atuava como uma espécie de conselheiro nos bastidores. Quando a situação apertou e a diretora foi afastada do cargo pela Justiça, Uldurico tentava acalmá-la dizendo que o ex-ministro orientou que ela ficasse discreta, ou como ele mesmo disse, para ela "mergulhar".
O clima entre os envolvidos esquentou quando o ex-deputado tentou culpar a cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) pela fuga. Geddel não gostou da estratégia e chegou a enviar um áudio irritado para Uldurico, reclamando das queixas e mencionando os erros cometidos pela diretora dentro do presídio.
Apesar das cobranças financeiras citadas no depoimento, os investigadores ainda buscam provas diretas de que o ex-ministro sabia que o dinheiro vinha especificamente da facilitação da fuga dos presos. O caso segue sob sigilo e faz parte de uma série de revelações da operação batizada de Duas Rosas.







