A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, abriu o jogo em uma delação premiada que abala a política baiana. Ela detalhou como funcionava um esquema de troca de favores entre o ex-deputado federal Uldurico Júnior e o líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira Souza, o 'Dada'.
Segundo o depoimento, logo após assumir o cargo em março de 2024, Joneuma passou a autorizar regalias para os detentos a pedido de Uldurico. Entre os benefícios estavam a entrada de freezers, aparelhos de som e alimentação diferenciada. O objetivo era garantir que os presos provisórios votassem no político durante as eleições.
A relação entre a ex-diretora e o ex-deputado começou anos antes, em Teixeira de Freitas, e teria evoluído para um envolvimento amoroso. O Ministério Público aponta que a nomeação de Joneuma para a chefia do presídio de Eunápolis foi estratégica, servindo para colocar alguém de confiança que facilitasse os interesses ilícitos de Uldurico.
A delação também revela que o ex-deputado realizava reuniões a portas fechadas com os líderes criminosos dentro da unidade prisional. Nessas ocasiões, ele estaria acompanhado de outras figuras políticas da região, tratando o acesso direto aos detentos como algo comum no cotidiano da unidade.
Com o acordo de colaboração, Joneuma teve sua pena reduzida para seis anos. Ela deve cumprir apenas um ano em regime fechado, passando o restante do tempo nos regimes semiaberto e aberto, sem a necessidade de tornozeleira eletrônica. O acordo foi formalizado após a fuga de 16 presos da unidade em dezembro de 2024.
O Ministério Público da Bahia garantiu proteção especial para a ex-diretora e sua família, caso seja necessário. As investigações agora seguem para identificar outros envolvidos no esquema que transformou o presídio em um balcão de negócios eleitorais.







