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Polícia

Ex-diretora de presídio revela esquema entre ex-deputado e facção criminosa em Eunápolis

Joneuma Silva Neres detalhou em delação premiada como Uldurico Júnior usava unidade prisional para negociar votos com detentos

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
18 de abril, 2026 · 03:08 1 min de leitura

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, abriu o jogo em uma delação premiada que abala a política baiana. Ela detalhou como funcionava um esquema de troca de favores entre o ex-deputado federal Uldurico Júnior e o líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira Souza, o 'Dada'.

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Segundo o depoimento, logo após assumir o cargo em março de 2024, Joneuma passou a autorizar regalias para os detentos a pedido de Uldurico. Entre os benefícios estavam a entrada de freezers, aparelhos de som e alimentação diferenciada. O objetivo era garantir que os presos provisórios votassem no político durante as eleições.

A relação entre a ex-diretora e o ex-deputado começou anos antes, em Teixeira de Freitas, e teria evoluído para um envolvimento amoroso. O Ministério Público aponta que a nomeação de Joneuma para a chefia do presídio de Eunápolis foi estratégica, servindo para colocar alguém de confiança que facilitasse os interesses ilícitos de Uldurico.

A delação também revela que o ex-deputado realizava reuniões a portas fechadas com os líderes criminosos dentro da unidade prisional. Nessas ocasiões, ele estaria acompanhado de outras figuras políticas da região, tratando o acesso direto aos detentos como algo comum no cotidiano da unidade.

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Com o acordo de colaboração, Joneuma teve sua pena reduzida para seis anos. Ela deve cumprir apenas um ano em regime fechado, passando o restante do tempo nos regimes semiaberto e aberto, sem a necessidade de tornozeleira eletrônica. O acordo foi formalizado após a fuga de 16 presos da unidade em dezembro de 2024.

O Ministério Público da Bahia garantiu proteção especial para a ex-diretora e sua família, caso seja necessário. As investigações agora seguem para identificar outros envolvidos no esquema que transformou o presídio em um balcão de negócios eleitorais.

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