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Foragidos delatam esquema e disparam Operação Khalas contra auditor da Sefaz-BA

Roberto "Beto Louco" e Mohamad "Primo", ambos foragidos, entregaram ao MP-BA provas de propina e fraude que resultaram na prisão de servidor e no bloqueio de bens de 12 alvos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
23 de maio, 2026 · 06:40 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Uma delação premiada firmada por dois empresários foragidos foi o estopim da Operação Khalas, deflagrada na quinta-feira (21) na Bahia. Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de "Primo", ambos foragidos, apresentaram às autoridades baianas o material que embasou a ação.

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Os delatores já haviam tentado acordos com os Ministérios Públicos de São Paulo e do Piauí sem sucesso. Desta vez, as provas foram consideradas robustas pelos promotores baianos, que deram prosseguimento ao acordo. O MP de São Paulo havia rejeitado a colaboração em 6 de maio de 2026 — os investigados ofereciam R$ 1 bilhão, mas os promotores estimavam sonegação de R$ 4 bilhões e apontavam suspeitas de pagamento de propina a fiscais.

A delação de Beto Louco teria detalhado a estrutura do esquema e o pagamento de propinas a integrantes do setor de combustíveis da Sefaz-BA, alimentando uma rede de fraudes que ultrapassou fronteiras estaduais.

A ação prendeu um auditor fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-BA) e afastou dois servidores municipais de Candeias. O servidor preso foi identificado como Olavo José Gouveia Oliva, auditor fiscal lotado na Coordenação de Petróleo e Combustíveis (Copec) da Sefaz. Durante a ação, os agentes apreenderam cerca de R$ 250 mil em espécie com o investigado.

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A ação prendeu preventivamente três pessoas, cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias, e bloqueou bens de cinco pessoas físicas e sete pessoas jurídicas.

O esquema investigado é de grande escala. Segundo o Ministério Público baiano, a fraude causou prejuízo de cerca de R$ 400 milhões aos cofres do estado e envolveu a adulteração de aproximadamente 111 milhões de litros de combustíveis. O coração do esquema consistia em esconder a importação de insumos químicos pesados, como nafta e solventes. Esses produtos eram desviados para unidades clandestinas de mistura, conhecidas como "batedeiras", onde eram misturados para adulterar o combustível que chegava aos postos e aos tanques dos consumidores.

A polícia aponta que o grupo atuava como braço financeiro e logístico do Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizando postos de combustíveis e empresas de transporte para lavar dinheiro. Os investigadores também apontam que integrantes do esquema ofereciam vantagens indevidas a servidores públicos estaduais e municipais em troca de proteção e facilidades administrativas.

A Operação Khalas é um desdobramento direto da Operação Primus, deflagrada em outubro de 2025. Para colocar a operação de pé, foram mobilizados oito promotores de Justiça, 26 delegados e 90 policiais civis, além de equipes da Companhia Independente de Polícia Fazendária (Cipfaz) e técnicos da Sefaz e do Ministério Público.

A refinaria Dax Oil, localizada em Camaçari, já havia aparecido em investigações anteriores. Na Operação Carbono Oculto, ela foi identificada como fornecedora da Copape, empresa controlada por Beto Louco em São Paulo.

A Secretaria da Fazenda do Estado afirmou em nota que a Inspetoria Fazendária de Investigação e Pesquisa (Infip) participou das ações que resultaram na operação e que a apuração terá desdobramentos administrativos e fiscais, com atuação da Corregedoria da Fazenda Estadual. A defesa do auditor preso não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.

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