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Polícia

Feridos em acidentes com animais crescem nas rodovias da Bahia

Acidentes envolvendo animais nas rodovias da Bahia feriram mais pessoas nos últimos dois anos, aponta estudo da PRF, que detalha dados e responsabilidades.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
26 de fevereiro, 2026 · 03:09 4 min de leitura
Foto: Imagem Ilustrativa. Reprodução / Mais Região
Foto: Imagem Ilustrativa. Reprodução / Mais Região

O número de pessoas que se machucaram em acidentes nas rodovias da Bahia por causa de animais soltos cresceu bastante nos últimos dois anos. Um levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e entregue ao ChicoSabeTudo mostra essa realidade preocupante, que vai além dos carros e envolve também a vida de bichos e de motoristas.

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A pesquisa da PRF analisou dados de seis anos, de 2020 a 2026, revelando uma tendência de alta no número de feridos. Entre 2022 e 2024, a situação ficou mais grave: se em 2022 foram 97 viajantes feridos em incidentes com animais nas estradas baianas, este número saltou para 101 em 2023 e atingiu o pico de 117 registros em 2024. Isso significa que mais gente está sofrendo as consequências desses encontros inesperados nas pistas.

Os números não preocupam apenas nos últimos anos. Entre 2020 e 2021, já havia um crescimento, indo de 91 para 107 feridos. No ano passado, 2025, foram contabilizados 105 pessoas feridas. É importante notar que, em todos os anos analisados, o total de feridos é sempre maior que o número de acidentes, indicando que cada ocorrência costuma ter mais de uma vítima.

Acidentes nas rodovias: Mais de uma vítima por ocorrência

A quantidade de acidentes com animais também mostra uma oscilação. Depois de registrar 83 ocorrências em 2020 e 78 em 2021, subiu para 86 em 2022 e 92 em 2023, chegando ao seu ponto mais alto em 2024, com 95 acidentes. Em 2025, houve uma pequena queda, com 88 casos.

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Um dado que chama a atenção é o de 2021. Naquele ano, apesar de ter tido o menor número de acidentes (78), registrou um aumento grande no número de pessoas feridas (107) em comparação com o ano anterior (91 feridos em 83 acidentes em 2020). Isso sugere que os acidentes de 2021 foram mais graves ou envolveram mais pessoas.

Impacto fatal: Mortes em acidentes com animais

Infelizmente, acidentes com animais também custam vidas. A PRF registrou uma variação no número de mortes, com um pico em 2022 e o menor valor no final do período avaliado. Em 2020, por exemplo, ocorreram 5 mortes para 83 acidentes. Já em 2021, esse número dobrou, com 10 mortes em um ano com menos acidentes (78).

O ano de 2022 foi o mais letal, com 12 mortes em 86 acidentes. Depois, em 2023, houve uma redução. Mas 2024, apesar de ser o ano com mais acidentes (95), registrou a menor taxa de mortes da série. No ano passado, 2025, a taxa de óbitos voltou a subir, chegando perto dos níveis de 2021.

Quem é o responsável? Entenda as punições

A advogada especialista em direito de trânsito, Thamires Santos, explicou que a principal causa desses acidentes é o abandono ou a má condução de animais. Ela ressaltou que os tutores, ou seja, os donos dos animais, podem ser punidos em caso de acidentes.

"Quando o animal está solto na estrada ou na rua sem qualquer condução, há descumprimento direto da lei. Em caso de acidente, isso pode gerar responsabilização civil do proprietário pelos danos materiais, morais e até estéticos sofridos pela vítima, sem contabilizar possíveis multas e sanções criminais", explicou Santos.

A advogada detalhou que a situação pode ir além das multas. Deixar um animal perigoso solto ou não o guardar com cuidado, colocando a segurança de terceiros em risco, é uma infração prevista na Lei das Contravenções Penais. A pena pode ser prisão simples ou multa. Em casos mais graves, se houver lesão corporal ou morte, o proprietário pode responder por outros crimes, como expor a vida ou a saúde de alguém a perigo, conforme o Código Penal.

Para evitar problemas, Thamires Santos reforçou que os donos de animais precisam seguir o que diz a lei. O Artigo 53 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que animais, sejam sozinhos ou em grupo, só podem circular nas vias se forem conduzidos por um guia. Rebanhos devem ser divididos para não atrapalhar o trânsito, e animais na pista de rolamento devem ser mantidos junto ao acostamento.

Motoristas e Poder Público também têm sua parte

Não só os donos de animais têm responsabilidade. Os motoristas também precisam ter cautela. A advogada Thamires Santos lembrou que o Artigo 220 do CTB considera infração gravíssima não reduzir a velocidade perto de animais na pista. Ou seja, ao ver um bicho na via, o motorista deve diminuir a velocidade e redobrar a atenção. Se não fizer isso e ocorrer um acidente, pode haver o que se chama de culpa concorrente, dividindo a responsabilidade entre o dono do animal e o condutor.

Além disso, a especialista destacou a função do poder público. As autoridades de trânsito têm o dever de recolher animais soltos nas estradas. Após o recolhimento, o animal só é devolvido ao dono mediante o pagamento de multas e despesas. Se não for reclamado, pode ir a leilão. Contudo, a advogada reconhece que a falta de fiscalização e apreensão por parte do estado também contribui para a ocorrência de acidentes.

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