Um caso que chocou a cidade de Teodoro Sampaio, na Bahia, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (13). Nivaldo Guedes dos Santos, um ex-sargento da Polícia Militar que também atuou como segurança pessoal de um ex-prefeito, foi preso pela segunda vez. Ele é investigado por importunação sexual contra menores de idade e é alvo da “Operação Alerta Laranja”.
A ação conjunta da Corregedoria da PM e do Ministério Público da Bahia (MP-BA) deteve o oficial da reserva na mesma cidade onde os crimes teriam acontecido. As investigações já identificaram mais de 23 vítimas, com idades entre 10 e 14 anos, todas em situação de vulnerabilidade social.
Como o ex-PM agia e se aproveitava de sua influência
Nivaldo Guedes dos Santos não era uma figura qualquer em Teodoro Sampaio. Além de ex-sargento da PM, ele ocupou cargos importantes, como assessor especial e segurança pessoal do ex-prefeito José Alves da Cruz, conhecido como Bitinho. Ele também foi coordenador disciplinar de uma escola militarizada na cidade.
As investigações apontam que ele usava essa posição e influência para se aproximar de crianças e adolescentes. O método seria o aliciamento sexual, oferecendo auxílios assistenciais em troca. Em 2023, os detalhes dessa denúncia vieram à tona. Uma fonte próxima ao caso revelou à época:
Publicidade“A prática, que seria recorrente, consistia em abordar as meninas, geralmente em condição financeira muito precária, e oferecer cestas básicas, chocolates ou até botijões de gás para a família.”
Primeira prisão e tentativas de silenciar as vítimas
A primeira prisão de Nivaldo Guedes aconteceu em 2025, também no âmbito da “Operação Alerta Laranja”, por um mandado da Vara Crime da Comarca de Terra Nova. Naquela ocasião, celulares e outros eletrônicos foram apreendidos. No entanto, ele conseguiu ser solto após entrar com um recurso na Justiça.
Além das graves acusações de importunação sexual, o ex-sargento responde a um processo por ameaça. Após a repercussão do caso, há cerca de três anos, Nivaldo teria coagido as supostas vítimas a assinar um abaixo-assinado para tentar inocentá-lo. Familiares das vítimas, que preferiram não se identificar, contaram que estavam sendo pressionados a assinar documentos que atestavam que “nunca presenciaram” os abusos. Alarmantemente, esse documento estaria sendo distribuído até mesmo dentro de instituições de ensino, com o envolvimento da direção das escolas.
Investigações continuam e canais de denúncia estão abertos
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que as investigações seguem a todo vapor. O objetivo é aprofundar a apuração das responsabilidades criminais e, principalmente, garantir a proteção integral das crianças e adolescentes envolvidos.
Para quem souber de casos de abuso e exploração sexual, é fundamental denunciar. Os canais disponíveis são o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, e o Disque 127, do Ministério Público da Bahia. As denúncias também podem ser feitas pelo site do MP-BA: atendimento.mpba.mp.br.







