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Polícia

Ex-auditor pagou R$45 mil por atestado falso e foi preso na Bahia

Localizado em Mucuri, ex‑auditor confessou ter pago R$45 mil por atestado de óbito fraudulento para liberar bens; foi preso e transferido na Bahia.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
28 de outubro, 2025 · 11:37 2 min de leitura
Foto: Reprodução / TV Globo
Foto: Reprodução / TV Globo

O ex-auditor fiscal Arnaldo Augusto Pereira foi transferido para o Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, informou a defesa à TV Bahia na segunda‑feira (27). A data exata da mudança não foi divulgada.

Como foi a captura

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Arnaldo foi localizado em Mucuri no dia 15 de outubro, depois de quase duas semanas de monitoramento por agentes que investigavam tentativas de burlar condenações envolvendo sua atuação na prefeitura de São Paulo. Ao perceber a movimentação policial, tentou fugir, mas foi capturado.

Dois dias após a prisão, a Justiça converteu a detenção temporária em prisão preventiva, durante a audiência de custódia. Além do cumprimento do mandado, foram apreendidos documentos pessoais; as apurações indicaram que ele utilizava identidade falsa.

O atestado e a investigação

O Ministério Público da Bahia informou que Arnaldo confessou ter pago R$ 45 mil por um atestado de óbito fraudulento. Segundo a investigação, o documento teria sido usado para emitir certidões e anexá‑las a processos judiciais com o objetivo de liberar bens retidos. É como se alguém tentasse apagar uma pessoa do sistema, no papel, para movimentar recursos.

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O atestado apontava óbito em 10 de julho, atribuindo a causa a problemas cardíacos e diabetes, com registro em cartório na Cidade Baixa, em Salvador, e indicação de sepultamento em Cachoeira. No entanto, a administração do cemitério negou que o enterro tenha ocorrido.

O Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) abriu sindicância para apurar a conduta do perito que assinou o atestado. O médico investigado foi identificado como Sérgio Ricardo Matos da Costa, de 60 anos, ligado ao Instituto Médico Legal e ex‑professor da Universidade Federal da Bahia.

Os investigadores também descobriram que a pessoa que anexou a documentação aos autos não tinha vínculo familiar com Arnaldo e já tinha antecedentes por furto, roubo e estelionato. Agentes monitoraram endereços ligados à família — inclusive residências associadas à esposa e a uma paróquia frequentada por eles — e, com esse acompanhamento, confirmaram que Arnaldo estava vivo.

“É presumido inocente”, disse o advogado Eduardo Maurício, responsável pela defesa de Arnaldo Augusto Pereira.

Sobre o médico legista, a defesa afirmou que ele não sabia que Arnaldo estava vivo e negou ter recebido pagamento pela assinatura do atestado, alegando que alguém se fez passar por parente e apresentou um vídeo com o suposto corpo para obter o documento.

As investigações seguem em curso: o Cremeb manteve a sindicância aberta e o Ministério Público continua a apurar as circunstâncias da documentação falsa. A prisão de Arnaldo já foi convertida em preventiva, e as autoridades seguem analisando os elementos que teriam levado à fraude.

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