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Polícia

“Eu vou ser as pernas dela”, diz mãe de mulher que teve membros amputados após ser arrastada por carro

Tainara Souza Santos, 31, teve pernas amputadas após ser arrastada por carro em SP. A mãe desabafa: "Foi pra matar mesmo, ele não tem coração".

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
08 de dezembro, 2025 · 14:00 6 min de leitura
Imagem: Reprodução/Redes sociais
Imagem: Reprodução/Redes sociais

A autônoma Tainara Souza Santos, 31 anos, mãe de dois filhos, permanece internada em estado grave após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Zona Norte de São Paulo. O caso, ocorrido em 29 de novembro, é investigado pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio com extrema violência e impossibilidade de defesa da vítima.12

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O atropelamento aconteceu na região do Parque Novo Mundo, após Tainara deixar um bar na Avenida Morvan Dias de Figueiredo, próximo à Marginal Tietê. Segundo a investigação, o carro era conduzido por Douglas Alves da Silva, 26 anos, que, de acordo com testemunhas e a própria polícia, avançou com o veículo na direção da vítima, que acabou presa embaixo do automóvel e foi arrastada até a altura da Rua Manguari, já na marginal.

Relato de testemunhas e depoimento do amigo

Imagens gravadas por motoristas que trafegavam pela via mostram o momento em que o carro segue em alta velocidade com o corpo de Tainara sob o veículo, enquanto condutores buzinam e gritam ao perceber a situação. Em um dos vídeos, é possível ouvir um dos autores da gravação afirmar: “Tá arrastando a mina na marginal! A mina tá embaixo do carro”.1

Um amigo de Douglas, que estava no banco do passageiro no momento do crime, afirmou em depoimento à Polícia Civil que o motorista teve a intenção de atropelar Tainara e que chegou a puxar o freio de mão para aumentar o atrito do carro sobre o corpo da vítima, na tentativa de matá-la. O relato é corroborado por um funcionário do bar, que disse ter visto o veículo acelerar contra a jovem e manobrar sobre ela antes de seguir em fuga.

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De acordo com as investigações, pouco antes do atropelamento houve uma discussão entre Douglas e Tainara em frente ao bar. Familiares e pessoas próximas relatam que os dois mantinham um relacionamento breve ou casual, e que o desentendimento teria sido motivado por ciúmes após o suspeito ver a vítima conversando com outro homem.12

Situação de saúde da vítima

Em razão da gravidade das lesões provocadas pelo arrasto, Tainara teve as duas pernas amputadas e passou por múltiplas cirurgias. Inicialmente, ela foi socorrida ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, na Vila Maria, onde permaneceu intubada e em estado gravíssimo.

Posteriormente, parte da imprensa noticiou que a paciente foi transferida para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde segue internada na UTI, sedada e com quadro considerado grave. A Secretaria de Saúde não tem divulgado detalhes atualizados sobre o estado clínico da vítima, alegando sigilo médico.

Perfil de Tainara e impacto na família

Segundo familiares e amigos, Tainara é descrita como uma mulher trabalhadora, bem-humorada e muito ligada à família. Ela é mãe de um menino de 12 anos e de uma menina de 8 anos e atuava como autônoma, inclusive com atividades ligadas ao comércio eletrônico e participação em pequenos negócios.

Nas redes sociais, a vítima costumava compartilhar momentos de lazer, viagens, encontros com amigos e registros com os filhos. Parentes afirmam que ela mantinha boa relação com o pai das crianças e se dedicava à criação dos dois.

A mãe de Tainara, Lúcia Aparecida Souza da Silva, tem dado depoimentos emocionados sobre a situação da filha. Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, ela relatou o impacto de ver as imagens do atropelamento e o sofrimento da família. “Um horror, um horror. Eu, como mãe, fico pensando assim... as pernas dela, ela no sofrimento ali, o povo buzinando, as pessoas buzinando. Foi pra matar mesmo, ele não tem coração. Não tem justificativa, não tem”, afirmou.

Ao falar sobre o futuro da filha após a amputação das pernas, Lúcia disse que pretende acompanhar de perto o processo de reabilitação. “Eu vou ser as pernas dela, ela tem muito amor, vai ter muito carinho da gente, das amigas, dos familiares”, declara. “Ela vai ser feliz de novo”, completou a mãe da vítima, destacando o apoio que Tainara deve receber da rede de familiares e amigos.

Prisão do suspeito e antecedentes

Douglas Alves da Silva foi preso na noite de 30 de novembro, um dia após o crime, em um hotel na região da Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo. A captura ocorreu após diligências da Polícia Civil, com apoio de equipes especializadas. De acordo com o boletim de ocorrência, houve resistência à prisão e troca de tiros durante a abordagem; o suspeito foi atingido no braço, recebeu atendimento médico e, em seguida, foi levado à delegacia, onde permaneceu à disposição da Justiça.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado inicialmente como tentativa de feminicídio pelo 73º Distrito Policial (Jaçanã), além dos crimes de resistência, lesão corporal e captura de procurado. A Polícia Civil aponta que Douglas já havia sido preso em 2023 por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e que, em 2025, tinha firmado um acordo com a Justiça, confessando o crime para obter benefícios, antes de voltar a se envolver em nova ocorrência grave.

Em audiência de custódia, Douglas afirmou não conhecer Tainara e alegou que o atropelamento teria sido “acidental”, versão contestada pelo depoimento do amigo que estava no carro, por testemunhas e por familiares da vítima. A defesa do réu declarou à imprensa que ele estaria arrependido e que pretende “responder na medida de sua culpabilidade”, sustentando que a dinâmica dos fatos será discutida no processo judicial.

Investigação e enquadramento jurídico

O delegado Fernando Barbosa Bossa, responsável pela investigação, classificou o caso como tentativa de feminicídio, destacando a ausência de chance de defesa por parte da vítima e o uso de extrema violência. Segundo o delegado, os elementos reunidos até o momento incluem imagens de câmeras de segurança, vídeos gravados por motoristas na via, relatos de testemunhas que conheciam o suspeito, além do depoimento do passageiro que estava no veículo no momento do atropelamento.

Paralelamente, a Justiça de São Paulo determinou que Douglas fosse submetido a exame de corpo de delito para apurar se houve eventual tortura, maus-tratos ou excesso no ato de sua prisão. A medida foi tomada após o acusado relatar, em audiência, que teria sido agredido por policiais no momento da captura. O laudo deverá ser encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil e ao Ministério Público para análise.

O inquérito policial segue em andamento, com o suspeito preso preventivamente enquanto a Polícia Civil aprofunda as diligências sobre a motivação do crime, a dinâmica do atropelamento e o percurso feito pelo veículo entre a Avenida Morvan Dias de Figueiredo e a Marginal Tietê, bem como o tempo exato em que a vítima permaneceu sob o carro.

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Imagem: Reprodução/Redes sociais
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