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Polícia

Empresa de Banqueiro Doa Apartamento Milionário a Mulher Ligada a Tráfico

Uma empresa com laços ao banqueiro Daniel Vorcaro doou um apartamento de R$ 4,4 milhões em São Paulo para Karolina Santos Trainotti, mulher investigada na Operação Descobrimento por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
11 de dezembro, 2025 · 16:30 3 min de leitura
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Uma empresa com fortes ligações ao banqueiro Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master, fez uma doação que chama a atenção. A Super Empreendimentos entregou um apartamento de luxo, avaliado em cerca de R$ 4,4 milhões, para uma mulher que é ré em um processo de lavagem de dinheiro e que foi citada na famosa Operação Descobrimento, que desvendou um esquema de tráfico internacional de drogas.

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O imóvel, com 113 metros quadrados de área privativa, fica em um endereço nobre em São Paulo, na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek. A beneficiária dessa doação milionária é Karolina Santos Trainotti.

Quem é Karolina Santos Trainotti?

Karolina não é um nome desconhecido para as autoridades. Ela é mencionada seis vezes na denúncia da Operação Descobrimento, de 2022, que focou no tráfico internacional de cocaína. Embora não tenha sido presa na época, o Ministério Público Federal (MPF) a incluiu em uma lista de pessoas que receberam dinheiro através de operações de câmbio pedidas por Rowles Magalhães. Ele é apontado como um dos líderes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

De acordo com o MPF, Karolina recebeu R$ 52 mil e 2.450 euros em cinco operações. Em 2023, a situação dela se agravou, e Karolina se tornou ré em um processo que saiu da Operação Descobrimento. A acusação diz que, entre 2020 e 2021, ela teria recebido mais de R$ 270 mil em 24 transações bancárias, todas vindo da conta de um doleiro que estava envolvido com a organização criminosa.

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A defesa de Karolina, conduzida pelo advogado Eugênio Pacelli de Oliveira, nega com veemência as acusações de lavagem de dinheiro. Eles afirmam que ela não tinha ideia da origem ilícita dos recursos. No processo, a defesa apresentou a alegação de que Karolina trabalhava como "sugar baby" de um dos outros réus, tendo seus gastos pessoais bancados durante um relacionamento amoroso.

A Teia de Conexões por Trás do Imóvel

O caminho do apartamento até as mãos de Karolina é, no mínimo, complexo. O imóvel foi comprado pela Viking Participações, uma empresa da qual o banqueiro Daniel Vorcaro é sócio. Isso aconteceu por R$ 4,4 milhões.

Em março deste ano (2024), a Viking vendeu o mesmo apartamento, pelo mesmo valor, para a Super Empreendimentos. Curiosamente, em dezembro de 2024, a Super Empreendimentos fez a doação oficial do apartamento para Karolina Santos Trainotti.

Embora a assessoria de Daniel Vorcaro negue que ele tenha qualquer envolvimento direto na doação, afirmando que sua única relação com a Super Empreendimentos é ser inquilino da casa em Brasília, no Distrito Federal, usada como "hub" político, existem conexões indiretas evidentes.

Na época em que a Super Empreendimentos comprou o apartamento da Viking (março de 2024), Fabiano Zettel, que é cunhado de Vorcaro, fazia parte da diretoria da Super Empreendimentos. Ele só deixou o capital social da empresa em julho de 2024. Além disso, a Viking, empresa de Vorcaro, e duas empresas de Zettel estão registradas no mesmo endereço comercial, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

A Super Empreendimentos não é uma empresa qualquer. Ela é a mesma que adquiriu, por R$ 36 milhões, o imóvel em Brasília usado por Vorcaro para receber figuras políticas importantes, como Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e Hugo Motta (Republicanos-PB).

A Super Empreendimentos pertence a um fundo de investimento administrado pela Reag Distribuidora. Essa distribuidora, por sua vez, foi alvo da Operação Carbono Oculto, que ocorreu em agosto de 2025. A Operação Carbono Oculto investiga os laços entre o Primeiro Comando da Capital (PCC), o setor de combustíveis e empresas financeiras.

A complexidade das relações e a alta quantia envolvida na doação para uma pessoa investigada em esquemas de tráfico e lavagem de dinheiro levantam muitas questões sobre a transparência e as operações dessas empresas ligadas ao mercado financeiro.

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