Paulo Afonso, BA – O luto pela perda precoce de Yasmin Feitosa Borges Bacalhau, de 22 anos, transformou-se em um clamor por respostas. Em entrevista concedida em frente ao Instituto Médico Legal (IML), a mãe da jovem trouxe à tona detalhes perturbadores sobre a cena encontrada no apartamento da filha, localizado no centro de Paulo Afonso, levantando fortes indícios de que a morte ocorrida no último domingo (28) não foi acidental.
O Silêncio e a Descoberta
O relato materno descreve uma angústia crescente que começou ainda na manhã de domingo. Yasmin, que havia passado o sábado (27) em família e demonstrado felicidade, parou de responder às mensagens. "O silêncio dela não era normal", explicou a mãe. Decidida a verificar o que ocorria, ela foi até o imóvel na Rua Marechal Costa e Silva.
Ao chegar, precisou da ajuda de uma vizinha para abrir o portão principal do prédio. Ao entrar no apartamento, deparou-se com a filha já sem vida. O choque inicial logo deu lugar à percepção de que algo estava errado no ambiente: objetos pessoais cruciais, como o celular da vítima e o molho de chaves do apartamento, haviam desaparecido.
"Ela não abriria a porta para um estranho"
Um dos pontos centrais do depoimento da mãe é a dinâmica de segurança da filha. Segundo informações preliminares, alguém teria entrado no imóvel durante a madrugada, entre 3h30 e 4h. Para a família, a hipótese de uma invasão aleatória ou de Yasmin ter recebido um desconhecido é descartada.
Publicidade"Ela não abriria a porta para um estranho nesse horário. Quem entrou lá era alguém que ela conhecia ou que tinha acesso", desabafou a mãe, reforçando a tese de que a pessoa que esteve com Yasmin sabia como chegar até ela.
Suspeitas e Conflitos Financeiros
Embora a Polícia Civil mantenha a cautela, tratando o caso inicialmente como "morte a esclarecer" enquanto aguarda os laudos periciais, a família direciona suspeitas a um relacionamento anterior da jovem.
A mãe revelou que Yasmin vinha enfrentando problemas com um ex-namorado, envolvendo cobranças financeiras e dívidas. Além disso, relatos de uma amiga próxima da vítima indicaram que esse ex-companheiro já havia demonstrado comportamento agressivo em outras ocasiões. Esses elementos foram repassados às autoridades e devem compor a linha de investigação para determinar se houve feminicídio ou homicídio.
O corpo de Yasmin foi sepultado na manhã de terça-feira (30), sob forte comoção. A família agora aguarda a conclusão da perícia e a análise de câmeras de segurança da região, que podem ter registrado a movimentação do suspeito na madrugada do crime.







