Paulo Afonso · BA
Última hora
PI 637
Polícia

Duas semanas após tragédia em Luís Anselmo, bairro de Salvador ainda carrega peso do desabamento

A vida voltou às ruas, mas moradores e comerciantes da Baixa das Pedrinhas convivem com a memória dos três trabalhadores mortos quando o prédio de quatro andares cedeu.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
31 de maio, 2026 · 05:44 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

O movimento voltou às ruas da Baixa das Pedrinhas, no bairro de Luís Anselmo, em Salvador. Mas o bairro não é o mesmo de antes do dia 16 de maio. Semanas depois do desabamento de um prédio de quatro andares que matou três trabalhadores, moradores e comerciantes ainda carregam a lembrança da tragédia no cotidiano.

Publicidade

Segundo reportagem do BNews, quem vive nas proximidades do imóvel relata que o clima na região mudou após o ocorrido. O comércio foi retomando gradualmente, mas a presença dos escombros e a memória do acidente seguem presentes na comunidade.

As três vítimas fatais foram identificadas pela polícia: Raimundo Brito dos Santos, de 59 anos; Maurício Santos Lima, de 51 anos; e Roberto Carlos Evangelista da Silva, de 58 anos. Os três eram trabalhadores da construção civil contratados para executar obras no prédio.

O desabamento envolveu um prédio de quatro pavimentos na localidade da Baixa das Pedrinhas, no bairro Luiz Anselmo, em Salvador. Seis pessoas estavam no imóvel no momento em que a estrutura cedeu, na tarde do sábado (16). Entre elas estavam José Antônio, a esposa dele, um bebê de um ano e seis meses e três trabalhadores que realizavam uma obra no local.

Publicidade

José Antônio, que conseguiu escapar com a família, contou que ouviu um barulho antes do desabamento e correu para retirar a esposa e o filho do imóvel. Ele também afirmou que o prédio apresentava rachaduras havia aproximadamente um mês.

Cerca de 30 bombeiros participaram da operação de resgate. Um cão farejador da corporação também foi utilizado nas buscas. O último corpo foi retirado dos escombros durante a madrugada do domingo (17), após horas de buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar da Bahia.

Segundo o prefeito de Salvador, Bruno Reis, o imóvel apresentava irregularidades estruturais e teria sido construído sem o suporte adequado nos pavimentos superiores. O desabamento atingiu casas ao lado, causando danos e prejuízos aos vizinhos.

Doze famílias precisaram deixar suas casas após o acidente na Rua Baixa das Pedrinhas. A Secretaria Municipal de Promoção Social iniciou o atendimento às famílias afetadas logo após a ocorrência, distribuindo colchões, kits dormitório e cestas básicas, além de orientar os moradores sobre o acesso ao Auxílio Moradia e ao Auxílio Emergencial.

O diretor-geral da Codesal destacou que qualquer alteração estrutural em imóveis deve ser tratada com atenção imediata, principalmente em Salvador, cidade marcada por áreas de encosta, edificações antigas e maior incidência de chuvas em determinados períodos do ano. Ele ressaltou ainda a importância do acompanhamento técnico antes da execução de obras, reformas ou ampliações, e que os projetos precisam passar pela análise dos órgãos municipais responsáveis.

Os trabalhos periciais no local contaram com apoio de peritos das áreas de engenharia, topografia e modelagem, além do uso de drone termal para auxiliar nas análises. Segundo o diretor-geral do DPT, Osvaldo Silva, os laudos devem ajudar a esclarecer as causas do desabamento. A investigação está sendo conduzida pela 6ª Delegacia Territorial de Brotas.

O desabamento também atingiu dois postes da rede elétrica, provocando a interrupção do fornecimento de energia para 51 imóveis da região, conforme a Neoenergia Coelba. A tragédia reacendeu o debate sobre fiscalização de obras e o risco das construções irregulares em Salvador.

Leia também