Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Polícia

Dnit descarta falha na pista após quatro acidentes graves na BR-324 e aponta imprudência como causa

Superintendente do órgão federal na Bahia afirma que mais de 90% das ocorrências na rodovia não têm relação com o estado do pavimento — e cobra atenção dos motoristas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
15 de maio, 2026 · 09:55 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

Em uma semana, quatro acidentes graves sacudiram um trecho de apenas 15 quilômetros da BR-324, entre Feira de Santana e Amélia Rodrigues, no interior da Bahia. Duas dessas ocorrências resultaram em morte. Mas, para o Dnit, a rodovia não tem culpa.

Publicidade

Na manhã desta quinta-feira (14), o superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) na Bahia, Roberto Alcântara, concedeu entrevista para comentar a vistoria realizada pelo órgão no dia anterior. O tema central: a série de acidentes que vem alarmando motoristas e moradores da região.

Questionado sobre os acidentes recorrentes naquele trecho, o superintendente explicou que grande parte das ocorrências graves na BR-324 acontece por conta da imprudência dos condutores, afastando a possibilidade de haver algum componente estrutural da rodovia contribuindo para os acidentes. A posição foi categórica: "Mais de 90% dos acidentes na BR-324 não são em virtude da condição da rodovia."

Alcântara reforçou que a maioria dos acidentes são colisões traseiras, provocadas, na maioria esmagadora das vezes, por desatenção. Outro fator apontado por ele é o alto fluxo de veículos no trecho. "Nós vamos ter momentos na rodovia com 5 a 7 mil veículos simultaneamente", disse o gestor.

Publicidade

O superintendente também falou sobre velocidade. Segundo ele, a rodovia estabelece limite de 110 km/h para veículos leves, e respeitá-lo reduz bastante a probabilidade de acidentes, pois o motorista tem um tempo de resposta mais adequado — risco que aumenta ainda mais em períodos de chuva.

Os quatro acidentes citados ocorreram entre os dias 6 e 12 de maio, todos concentrados no trecho que vai do km 530 ao km 545 da BR-324, das imediações do viaduto da BR-101 até a entrada de Amélia Rodrigues. No dia 6, um carro-forte capotou na altura do km 534, próximo ao viaduto do Bessa, na comunidade de Conceição do Jacuípe. No dia seguinte, duas carretas colidiram no mesmo ponto, bloqueando completamente a pista e causando um engarrafamento de mais de cinco horas.

No dia 10, um motociclista morreu após acidente no km 533, na faixa sentido Feira de Santana–Salvador, próximo ao viaduto da BR-101. E no dia 12 de maio, um homem de 24 anos, identificado como Jeferson Santos de Jesus, morreu no km 545 após seu caminhão bater na traseira de outro veículo.

O superintendente declarou que diversos serviços de melhoria na BR-324, como recapeamento e tapa-buracos, vêm sendo executados, inclusive no trecho em questão. O Dnit assumiu a gestão das BRs 324 e 116 na Bahia em maio de 2025, após o encerramento do contrato com a ViaBahia, passando a isentar os motoristas da cobrança de pedágio nos dois trechos.

A situação também chegou à Câmara Municipal de Amélia Rodrigues. O vereador Zé Silveira demonstrou preocupação com a sequência de acidentes e pediu providências urgentes ao Dnit e ao Governo da Bahia. Ao final do pronunciamento, o parlamentar sugeriu uma nova reunião entre vereadores do município e representantes do Dnit para discutir medidas emergenciais.

Do lado do Dnit, Alcântara reforçou que o órgão registra fotograficamente e investiga todos os acidentes ocorridos nas rodovias federais sob sua gestão — inclusive por precaução jurídica. "Possivelmente, esse acidente posteriormente pode se tornar uma demanda judicial. Alguém pode dizer que o acidente se deu em virtude de o Dnit não ter feito isso ou aquilo. Então, é importante identificar a possível causa", justificou Alcântara.

Leia também