O diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), Marcelo Lemos, usou suas redes sociais nesta quinta-feira (11) para relatar um grave episódio de racismo que sofreu. Segundo ele, o ataque aconteceu após uma entrevista à Rádio Metrópole e tinha como alvo seus traços negros, especialmente seu cabelo, numa tentativa clara de desqualificar sua capacidade profissional.
Marcelo Lemos, que lidera uma instituição tão importante para a preservação da cultura e história da Bahia, expôs o comentário preconceituoso em um vídeo publicado em seu perfil. A mensagem era agressiva: “O cara não cuida nem do próprio cabelo que dirá de algo tão complexo quanto este instituto e suas demandas… Ah, antes me chamem de racista, sou pardo como ele… a realidade é que visível que esse cara não tem estoufo para gerir algo tão complexo”.
Esse tipo de crítica, disfarçada de observação, é uma forma de injúria racial. Ao associar a aparência física, neste caso o cabelo, à falta de competência, o comentário reforça estereótipos racistas antigos e tenta minar a autoridade e o trabalho de pessoas negras.
Diante do ataque, o diretor não hesitou. Ele compareceu ao Centro Policial de Cidadania e Diversidade (CPCD), uma unidade especializada da Polícia Civil que fica em Salvador, na Bahia. No local, que abriga a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN), Lemos formalizou a denúncia de injúria racial. A DECRIN é fundamental para acolher e investigar crimes motivados por preconceito racial ou religioso, mostrando que o Estado está atento a essas violações.
Publicidade“Tentaram questionar minha competência a partir do meu cabelo, da minha estética, da minha identidade. Não deixarei passar. Racismo é crime e o ambiente digital não é terra sem lei”, escreveu Marcelo Lemos em sua legenda, deixando claro seu posicionamento firme contra a discriminação.
Ele também fez um apelo para a construção de uma sociedade mais justa. “Para construirmos uma sociedade verdadeiramente antirracista, precisamos enfrentar cada violência com firmeza, responsabilidade e coragem. Seguimos?????”, completou o diretor. O caso de Marcelo Lemos serve como um lembrete importante de que o racismo ainda é uma realidade dolorosa no Brasil e que a denúncia é um passo crucial para combatê-lo, tanto no mundo físico quanto no digital.







