Publicidade
PI 6308
Polícia

Delegado revela engenharia fraudulenta da Operação Mercador

Líder do esquema criou certificadora falsa e usava vários CPFs para obter registros de CAC, diz Draco

Redação ChicoSabeTudo
28 de setembro, 2026 · 18:50 2 min de leitura

O delegado titular e diretor da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Fábio Lordelo, explicou como funcionava o esquema investigado pela Operação Mercador, que prendeu oito pessoas na segunda-feira (28) em quatro estados. Segundo ele, o grupo agia de forma independente, mas fornecia armas e munições para diferentes facções que atuam no mercado ilegal.

"É um grupo independente, ele fornecia para todos os tipos de facções. Eles agiam com independência, mas alimentando essas facções no mercado ilícito de armas e munições", afirmou o delegado.

Publicidade

De acordo com Lordelo, as investigações tiveram início depois que a Polícia Civil passou a desconfiar de uma ocorrência registrada como suposto roubo de armas em Lauro de Freitas. A partir daí, os investigadores identificaram um esquema de fraude documental usado para conseguir registros de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) junto ao Exército.

O delegado detalhou que o líder do grupo usava múltiplos CPFs falsos e chegou a montar uma certificadora própria para fraudar identidades e reconhecimentos de firma, documentos exigidos pela corporação militar para autorizar o registro de CAC. Essa estrutura, segundo a Draco, dava aparência de legalidade às aquisições de armamento.

"Dentro do modelo de ilicitude que ele montou, ele tinha uma certificadora justamente para certificar esses documentos. E aí ele conseguiu fazer essa engenharia, se deslocou pro Rio de Janeiro, onde moram num lugar muito confortável", disse Lordelo sobre o suspeito apontado como líder do esquema.

A ação da Polícia Civil cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em quatro estados e resultou no bloqueio judicial de até R$ 100 milhões em bens dos investigados, valores já divulgados no balanço da operação. Um casal foi preso em Salvador, e outros suspeitos foram alvo de diligências relacionadas à lavagem de dinheiro no Ceará.

Para o delegado, o próximo passo da investigação é impedir que o esquema volte a funcionar. "Nosso objetivo agora primordial é estancar o funcionamento da organização criminosa. Nós queremos estancar essa movimentação dele, evidentemente, para evitar o abastecimento de armas e munições a essas facções criminosas no nosso estado e, consequentemente, também nos outros estados", declarou Lordelo.

Relembre: Operação Mercador prende 8 e bloqueia R$ 100 milhões na Bahia

Publicidade

Leia também