Um segurança de Unidade de Pronto Atendimento (UPA) preso em flagrante no bairro Cruzeiro do Sul, em Rio Largo, na região metropolitana de Maceió, na noite de segunda-feira (15), deve ir além do crime pelo qual foi detido. Para o delegado Sidney Tenório, o caso tem ligação direta com uma rede mais ampla de fraudes documentais que funciona pela internet.
O homem foi flagrado após mandar confeccionar um carimbo falso com o nome e o registro profissional de uma médica, e o caso veio à tona no bairro Cruzeiro do Sul, em Rio Largo. A fraude começou a ser descoberta quando uma loja de carimbos entrou em contato com a médica para confirmar a produção do material.
Durante entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara, o delegado Sidney Tenório deixou claro que a investigação não para na prisão do suspeito. Segundo ele, o homem será incluído em um inquérito já aberto sobre a venda de atestados médicos falsos via aplicativos de mensagens. O pagamento pelos documentos era feito via Pix, embora o valor total movimentado ainda não tenha sido estimado.
O suspeito é segurança de uma UPA em Maceió e, segundo o delegado, usou o nome e o número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) de uma médica que trabalha no mesmo local — sem autorização dela. De acordo com informações divulgadas pelo portal TNH1, o homem confirmou à polícia que a encomenda do carimbo era para forjar um atestado e justificar uma viagem de cinco dias.
A UPA do Trapiche, em Maceió, já havia denunciado um esquema de venda de atestados falsos via grupos de WhatsApp, com documentos sendo vendidos por R$ 40 mediante pagamento via Pix, utilizando indevidamente o nome de uma médica, o endereço da unidade e o número do CRM da profissional.
O esquema em Alagoas não é um caso isolado. Perfis em redes sociais têm oferecido atestados médicos falsos de forma aberta na internet, com anúncios que circulam principalmente no X (antigo Twitter) e direcionam usuários para grupos no WhatsApp e Telegram, onde os documentos são comercializados por valores a partir de R$ 40. Levantamento do pesquisador Ergon Cugler, da FGV e integrante do DesinfoPop, identificou ao menos 31 perfis ativos anunciando o serviço na plataforma.
Os perfis oferecem receitas para medicamentos de uso controlado, laudos médicos, exames laboratoriais e atestados para afastamento do trabalho "com CID, carimbo e CRM ativo", além da venda direta de remédios que exigem prescrição. Especialistas afirmam que tanto quem vende como quem compra esses documentos pode responder criminalmente.
A legislação brasileira considera crime tanto a falsificação quanto o uso de documentos médicos falsos. Dependendo do caso, a prática pode configurar falsidade ideológica, uso de documento falso e estelionato, além de implicar em sanções administrativas e trabalhistas.
O suspeito foi indiciado por falsidade ideológica e passou por audiência de custódia nesta terça-feira (16), quando a Justiça definiu se ele aguarda a investigação em liberdade ou permanece preso. A médica cujo nome foi usado sem autorização também é considerada vítima no caso, segundo a polícia.







