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Deepfakes Sexuais Crescem 126% no Brasil e Atingem Escolas em 10 Estados

Um levantamento da SaferNet Brasil revela o aumento de deepfakes sexuais em escolas, com 173 vítimas em 10 estados. O crime digital preocupa e cresce no país.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
11 de fevereiro, 2026 · 10:46 3 min de leitura
(Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock)
(Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock)

A internet, que deveria ser um espaço de conexão e conhecimento, também se tornou um palco preocupante para crimes digitais. E um dos mais alarmantes é o crescimento das 'deepfakes' sexuais, que usam inteligência artificial para criar imagens e vídeos de nudez sem o consentimento das vítimas. No último Dia da Internet Segura, o alerta foi redobrado: esses ataques dispararam 126% no Brasil em 2025, de acordo com o Identity Fraud Report.

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Um levantamento exclusivo da SaferNet Brasil revelou dados chocantes sobre a incidência desses crimes em instituições de ensino. Foram identificadas 173 vítimas de deepfakes sexuais em escolas públicas e privadas espalhadas por dez estados brasileiros. O mais grave é que todas as vítimas são mulheres, entre alunas e professoras, mostrando a gravidade da violência de gênero no ambiente digital.

Vítimas e Autores: O Cenário da Exploração

O estado de São Paulo lidera, infelizmente, o número de ocorrências, com 51 vítimas. Logo atrás vêm Mato Grosso, com 30 casos, Pernambuco, também com 30, e o Rio de Janeiro, com 20 vítimas. A SaferNet Brasil conseguiu identificar 60 autores responsáveis por esses crimes, cujos detalhes completos estarão em um relatório a ser divulgado no próximo mês, com apoio do fundo SafeOnline, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A pesquisa, que começou em 2023, acompanha as notícias e também se baseia no trabalho da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, operada pela SaferNet. Desde 2023, o canal recebeu 264 links (URLs) relacionados a esse tipo de crime. A análise desses links trouxe à tona uma realidade perturbadora:

“Analisamos 264 links reportados que podiam ter vínculo com o compartilhamento de deepfakes sexuais não consentidos e de materiais artificiais de abuso sexual infantil. Desses, 125 continham imagens reais de abuso sexual infantil”, explicou Sofia Schuring, pesquisadora da SaferNet.
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Ainda de acordo com Sofia, 8% dos links examinados apresentavam conteúdo artificial de abuso e exploração sexual infantil. Além disso, foram contabilizados dez casos de deepfakes envolvendo adultos e 20 casos de vazamento de imagens íntimas reais, que aconteceram sem o uso de inteligência artificial.

Como Funcionam as Redes de Compartilhamento

A SaferNet mostrou que esses conteúdos ilícitos não são compartilhados de forma aleatória. Grupos organizados atuam ativamente, usando 'bots' para notificação, aplicativos de mensagem e fóruns na 'dark web' para disseminar as imagens. Por isso, a organização defende que é preciso bloquear as ferramentas que permitem essas notificações e "asfixiar" financeiramente essas redes criminosas.

Outros Crimes Digitais que Preocupam

O aumento dos deepfakes é apenas uma parte de um cenário maior de crimes cibernéticos. A Central de Denúncias da SaferNet registrou um total de 87.689 novas queixas, um aumento de 28,4% em relação a 2024. As IAs, segundo a organização, têm contribuído para esse crescimento. Veja outros dados alarmantes:

  • Abuso e Exploração Sexual Infantil: 63.214 notificações, a segunda maior marca já registrada pela SaferNet, quase alcançando as 71.867 de 2023.
  • Misoginia (ódio contra mulheres): Saltou para 8.728 casos, um aumento assustador de 224,9% no período.
  • Apologia e Incitação a Crimes contra a Vida: 4.752 denúncias.
  • Racismo: 3.220 casos.
  • Xenofobia: Houve uma queda, de 3.449 para 755 casos em relação a 2024.
  • Tráfico de Pessoas: Manteve-se estável, com 442 casos.
  • Outras Denúncias em Alta: Intolerância religiosa, LGBTfobia, neonazismo e maus tratos a animais também mostraram crescimento nas denúncias.

Os dados reforçam a necessidade de mais conscientização e ações efetivas para combater os crimes no ambiente digital e garantir a segurança de todos, especialmente dos mais vulneráveis.

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