A investigação do acidente que matou 16 pessoas na BR-116, em Santa Teresinha, no interior da Bahia, ganhou novos contornos com a transferência do caminhoneiro Tauan Felipe Reinert Carlos, de 25 anos, para uma unidade prisional. A Justiça baiana decretou a prisão preventiva do motorista do caminhão envolvido no acidente que deixou 16 mortos na BR-116, na região de Santa Teresinha, no interior da Bahia.
O condutor passou por audiência de custódia na manhã de segunda-feira (1º), por volta das 11h. De acordo com informações do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o homem foi identificado como Tauan Felipe Reinert Carlos, de 25 anos. Ele é natural de Navegantes, no litoral de Santa Catarina. O advogado que o representa argumentou que a manutenção da prisão seria desnecessária, mas a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
O condutor foi autuado em flagrante por homicídio com dolo eventual. Esse enquadramento jurídico é aplicado quando se entende que o motorista assumiu o risco de provocar mortes com sua conduta. O motorista foi transferido na última terça-feira (2) para a cidade de Feira de Santana, onde segue preso preventivamente, custodiado temporariamente no Complexo de Delegacias do bairro Sobradinho, de onde deverá ser encaminhado para o Conjunto Penal do município feirense.
Durante a audiência de custódia, Tauan afirmou que o acidente aconteceu enquanto realizava uma troca de marcha. Ele negou ter invadido a contramão da rodovia antes da colisão frontal com a van. No entanto, uma testemunha ocular relatou ter visto o caminhão conduzido por Tauan invadir a contramão e atingir a van.
Um dos principais entraves da apuração está no estado do equipamento de monitoramento do veículo. A PRF identificou uma irregularidade no cronotacógrafo do caminhão. De acordo com a corporação, o equipamento não permitia comprovar informações importantes, como o tempo de direção do motorista, a velocidade desenvolvida e a distância percorrida pelo veículo antes da colisão. Sem esses dados, a reconstrução exata dos momentos que antecederam o impacto fica prejudicada.
Outro elemento levantado durante as diligências foi a apreensão de entorpecentes. O coordenador da 4ª Coorpin informou que duas porções de maconha foram encontradas entre os pertences do motorista do caminhão. O material foi apreendido e também integra a apuração do caso. As autoridades, porém, ainda não estabeleceram relação direta entre a substância e a condução do veículo no dia da tragédia.
A colisão ocorreu por volta das 16h40, no quilômetro 507 da BR-116, no trecho da cidade de Santa Teresinha. O caminhão fazia o trajeto entre Juazeiro, no norte da Bahia, e o Rio de Janeiro. Quinze das 16 vítimas fatais pertenciam à mesma família e moravam em Salvador. O grupo retornava para a capital baiana após participar de uma festa de aniversário na cidade de Amargosa.
A única vítima que não fazia parte da família era o motorista da van, Daniel Oliveira dos Santos, de 26 anos, morador do bairro Cruzeiro, em Serrinha. Ele havia sido contratado para realizar o transporte dos passageiros. Entre os mortos estão crianças, adolescentes e adultos, incluindo um sargento da Polícia Militar da Bahia, a esposa dele e os filhos.
A 4ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin) de Santo Antônio de Jesus instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da tragédia. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), lamentou a tragédia e decretou luto de três dias em todo o estado.







