O Cemitério São João Batista, em São José, na Grande Florianópolis (SC), foi palco de um crime que resultou na violação de uma sepultura e no furto do crânio de uma criança. A vítima é Talita, uma menina de apenas sete anos que havia falecido recentemente após lutar contra um câncer cerebral.
A menina havia morrido em setembro, após uma batalha de quatro anos contra a doença, e estava sepultada em uma gaveta temporária, enquanto a família arrecadava fundos para a construção de um novo jazigo.
Suspeito é preso em flagrante com crânio e imagem religiosa
A prisão do suspeito, que não teve sua identidade revelada pelas autoridades, ocorreu na sexta-feira (31) em um bar de São José. Segundo informações da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), o homem foi detido em flagrante e estava portando, dentro de uma mochila, o crânio da criança — que estava em avançado estado de decomposição — e uma imagem de santa.
Questionado no momento da prisão, o suspeito alegou que o material furtado seria utilizado em um ritual de magia. A polícia inicialmente havia divulgado que a ossada era de um homem, mas a informação foi retificada logo em seguida. A mãe da menina, Tuani Cristina Alves, soube do crime pela imprensa e enviou o marido para confirmar, descobrindo a violação da sepultura da filha.
“Quando ele chegou lá, com flores, me ligou desesperado e disse que o túmulo dela estava todo quebrado”, disse.
Dor de "enterrar pela segunda vez"
A descoberta do furto causou um profundo trauma à família. Em depoimento à imprensa, a mãe de Talita desabafou sobre a dor de ter que lidar novamente com a perda, descrevendo o sentimento como o de "estar enterrando ela pela segunda vez". Segundo Tuani, o ocorrido causou um retrocesso em seu processo de luto.
A família também relatou indignação com a administração do cemitério. Conforme o relato da mãe, o coveiro inicialmente negava que os ossos levados fossem os da criança, afirmando apenas ter registrado um boletim de ocorrência sobre a violação. Somente após a insistência da família e a intervenção da polícia, o caixão foi aberto, confirmando que o crânio de Talita havia sido subtraído.
“Sinto muita indignação, pois aconteceu e eles não informaram nada. Quando meu marido esteve no cemitério, falou com o coveiro e ele só disse que tinha feito boletim de ocorrência e que na segunda ia lacrar o túmulo. De tanto eu insistir, minha amiga chamou a polícia, aí abriram o caixão e realmente era o crânio dela que tinham levado.”
O crime de violação de sepultura é previsto no Código Penal Brasileiro, sujeito à pena de reclusão. No entanto, o furto do crânio pode configurar também os crimes de furto e vilipêndio de cadáver.








