Um suposto esquema de estelionato envolvendo transferências via Pix e uso indevido de imagem foi registrado pela Polícia Militar de Alagoas (PMAL) em Delmiro Gouveia, no Alto Sertão alagoano. O caso chegou ao conhecimento das autoridades depois que duas pessoas procuraram o Posto Policial da Barragem Leste, relatando que teriam caído em um golpe articulado por uma terceira pessoa.
Segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias, com base no boletim de ocorrência registrado na quarta-feira (15), a vítima identificada como Iara Lemos Silva Santos contou que, em 5 de fevereiro de 2026, foi abordada por uma mulher chamada Janile Bezerra de Lima. A suspeita teria pedido a chave Pix de Iara — no caso, o CPF — alegando que terceiros fariam depósitos naquela conta e que os valores deveriam ser repassados integralmente a ela depois.
Acreditando que o procedimento era legítimo, Iara forneceu os dados e passou a receber depósitos em sua conta bancária. Cada vez que o dinheiro entrava, ela transferia o montante para a conta indicada por Janile, sem saber que estava no meio de um golpe.
O esquema só veio à tona depois que um homem identificado como Cícero Marcos da Silva Santos procurou Iara para esclarecer rumores sobre um suposto relacionamento entre os dois. Durante a conversa, eles perceberam que os valores enviados por ele coincidiam com depósitos recebidos na conta de Iara e depois repassados à suspeita. Conforme o boletim, Cícero relatou ter trocado mensagens pelo WhatsApp com um perfil que usava a foto de Iara, convencido de que falava com ela. Ele chegou a fazer duas transferências — de R$ 100 e R$ 50 — totalizando R$ 150.
Iara também informou às autoridades que recebeu outros depósitos de pessoas que afirma não conhecer, o que sugere que o esquema pode ter atingido mais vítimas além das que procuraram a polícia. A Polícia Militar registrou a ocorrência por suspeita de estelionato e encaminhou o caso à Polícia Civil, que ficará responsável pelas investigações.
O caso de Delmiro Gouveia ilustra uma modalidade de fraude que se tornou cada vez mais comum no Brasil. Golpistas utilizam fotos de pessoas reais como imagem de perfil no WhatsApp para construir uma identidade falsa e, com ela, convencer outras vítimas a fazer transferências via Pix. Em paralelo, convencem a pessoa cuja foto foi usada a ceder a chave Pix, transformando-a, sem que saiba, em intermediária das transações.
De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados mais de 2,1 milhões de estelionatos digitais em 2024 — o equivalente a quatro ocorrências por minuto. Em 2025, segundo levantamento citado por especialistas jurídicos, cerca de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes via Pix ou boleto falso, com prejuízo agregado próximo de R$ 29 bilhões.
Autoridades e especialistas recomendam que ninguém forneça a chave Pix a desconhecidos sob qualquer pretexto, e que, antes de fazer uma transferência iniciada por mensagem, a identidade do destinatário seja confirmada por ligação telefônica direta. Em caso de suspeita de fraude, a orientação é acionar imediatamente o banco e registrar boletim de ocorrência, que pode ser feito online na delegacia eletrônica.







