Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Polícia

Caso Flávia Barros: Defesa da vítima rebate tese de legítima defesa e anuncia reconstrução 3D de crime em Aracaju

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
29 de março, 2026 · 12:10 2 min de leitura
Imagem/Reprodução: Redes Sociais
Imagem/Reprodução: Redes Sociais

ARACAJU — O assassinato da empresária Flávia Barros, de 38 anos, morta a tiros em um hotel na zona sul da capital sergipana, ganha novos desdobramentos com o embate direto entre as versões da defesa do suspeito e a equipe jurídica que representa a família da vítima. O policial penal Tiago Sóstenes, ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso (BA) e principal suspeito do crime, alega ter agido em legítima defesa, tese que vem sendo duramente rechaçada pela acusação.

Publicidade

Em entrevista concedida ao apresentador Luiz Carlos Focca, o advogado da família de Flávia não poupou críticas à narrativa apresentada pelo suspeito. “Num primeiro momento, ele alega, de forma pífia, uma espécie de legítima defesa contra Flávia, sem nenhum tipo de ancoragem”, declarou o criminalista.

Para confrontar a versão de Sóstenes e buscar a verdade real dos fatos, a defesa da vítima anunciou o uso de tecnologia avançada. Assim que o laudo pericial completo do Instituto Médico Legal (IML) for disponibilizado, a família arcará com a produção de uma animação gráfica computadorizada. O objetivo é simular, em detalhes, tudo o que ocorreu na cena do crime, cruzando os depoimentos com as evidências físicas, a posição do corpo e o tipo de lesão.

Dúvidas sobre a tentativa de suicídio

Publicidade

Outro ponto de forte questionamento por parte do advogado da vítima é a suposta tentativa de suicídio de Tiago Sóstenes logo após o feminicídio. O suspeito foi encontrado com um ferimento a bala na cabeça, sobreviveu e já recebeu alta médica, sendo transferido para o Presídio Militar de Sergipe (Presmil).

O representante da família de Flávia apontou a improbabilidade da narrativa, baseando-se no perfil técnico do suspeito. Segundo ele, causa estranheza que um operador de segurança pública altamente treinado, com mais de uma década de atuação, atire contra a própria cabeça e não venha a óbito. “É um operador claro da segurança pública, tem todo o conhecimento necessário. Muita coisa está por vir e ainda vai ser esclarecida”, afirmou o advogado, indicando que a perícia pode desmontar a versão de que o tiro na cabeça foi, de fato, uma tentativa de tirar a própria vida.

[embed:ba86ff06-4d97-4aeb-9a3b-b50f5a536faf]

Transferência sob protestos

Enquanto a acusação se arma com recursos tecnológicos e laudos técnicos, a defesa de Tiago Sóstenes enfrenta a recente alta hospitalar do policial. A equipe jurídica do suspeito classificou a saída do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) como "abrupta", alegando que o policial penal ainda abriga o projétil na região frontal da cabeça, sofre com episódios de náusea e perda parcial de audição. A defesa questiona se o Presmil possui a estrutura neurológica adequada para manter o custodiado, que, segundo os advogados, correria risco de morte.

O caso segue sob investigação rigorosa do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e o embate técnico entre as defesas promete ser o foco das próximas fases do inquérito.

Leia também