Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Polícia

Câmeras mostram policial penal por 17 minutos em corredor antes de matar Flávia Barros

Imagens reforçam tese de premeditação na denúncia do MP contra Tiago Sóstenes; defesa alega que houve discussão em show antes do crime

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
10 de abril, 2026 · 11:44 2 min de leitura
Foto: ChicoSabeTudo
Foto: ChicoSabeTudo

Imagens das câmeras de segurança de um hotel na Zona Sul de Aracaju revelam que o policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos, de 37 anos, permaneceu por pelo menos 17 minutos no corredor do estabelecimento antes de entrar no quarto e matar a empresária Flávia Barros dos Santos, de 38 anos. O detalhe é um dos principais elementos da denúncia apresentada pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE) na última quarta-feira (8).

Publicidade

Para a acusação, o tempo de espera registrado pelas câmeras é a prova mais contundente de que o crime foi planejado. Segundo o MP, Tiago não agiu por impulso — ele aguardou, escolheu o momento e executou Flávia quando ela não tinha nenhuma possibilidade de reação. A empresária foi atingida por disparos de arma de fogo de uso restrito enquanto estava no quarto, na madrugada do dia 22 de março.

A defesa de Tiago Sóstenes apresenta uma versão diferente dos fatos. Segundo os advogados do policial penal, o casal teve uma discussão durante um show que frequentaram juntos minutos antes do crime. A briga teria continuado no hotel, e Tiago alegou ter agido em legítima defesa. A tese, porém, foi rejeitada tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público. O inquérito conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), concluído no dia 2 de abril, classificou o crime como premeditado e sem qualquer chance de defesa por parte da vítima.

A denúncia do MPSE inclui qualificadoras de feminicídio com agravantes: uso de arma de fogo de uso restrito, que dificultou a defesa da vítima, e motivação torpe, ligada a ciúmes excessivos e sentimento de posse sobre a empresária.

Publicidade

Flávia Barros era moradora de Paulo Afonso, no norte da Bahia, e tinha forte presença nas redes sociais. Tiago era diretor do Complexo Penal de Paulo Afonso e foi exonerado do cargo após o crime. Os dois se conheceram quando o próprio policial ministrou uma palestra sobre feminicídio na cidade e namoravam havia pouco tempo.

Após atirar em Flávia, Tiago tentou tirar a própria vida. Foi socorrido e internado no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) por três dias. Após a alta, foi transferido para o Presídio Militar (Presmil), onde permanece preso. Com a denúncia oferecida, o caso agora segue para o Tribunal do Júri.

Leia também