Imagens das câmeras de segurança de um hotel na Zona Sul de Aracaju revelam que o policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos, de 37 anos, permaneceu por pelo menos 17 minutos no corredor do estabelecimento antes de entrar no quarto e matar a empresária Flávia Barros dos Santos, de 38 anos. O detalhe é um dos principais elementos da denúncia apresentada pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE) na última quarta-feira (8).
Para a acusação, o tempo de espera registrado pelas câmeras é a prova mais contundente de que o crime foi planejado. Segundo o MP, Tiago não agiu por impulso — ele aguardou, escolheu o momento e executou Flávia quando ela não tinha nenhuma possibilidade de reação. A empresária foi atingida por disparos de arma de fogo de uso restrito enquanto estava no quarto, na madrugada do dia 22 de março.
A defesa de Tiago Sóstenes apresenta uma versão diferente dos fatos. Segundo os advogados do policial penal, o casal teve uma discussão durante um show que frequentaram juntos minutos antes do crime. A briga teria continuado no hotel, e Tiago alegou ter agido em legítima defesa. A tese, porém, foi rejeitada tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público. O inquérito conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), concluído no dia 2 de abril, classificou o crime como premeditado e sem qualquer chance de defesa por parte da vítima.
A denúncia do MPSE inclui qualificadoras de feminicídio com agravantes: uso de arma de fogo de uso restrito, que dificultou a defesa da vítima, e motivação torpe, ligada a ciúmes excessivos e sentimento de posse sobre a empresária.
Flávia Barros era moradora de Paulo Afonso, no norte da Bahia, e tinha forte presença nas redes sociais. Tiago era diretor do Complexo Penal de Paulo Afonso e foi exonerado do cargo após o crime. Os dois se conheceram quando o próprio policial ministrou uma palestra sobre feminicídio na cidade e namoravam havia pouco tempo.
Após atirar em Flávia, Tiago tentou tirar a própria vida. Foi socorrido e internado no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) por três dias. Após a alta, foi transferido para o Presídio Militar (Presmil), onde permanece preso. Com a denúncia oferecida, o caso agora segue para o Tribunal do Júri.







