Pelo 18º ano consecutivo, o Brasil permanece na triste liderança global como o país que mais mata pessoas trans. Em 2025, foram registrados 80 assassinatos motivados por crimes de transfobia em todo o território nacional, revelando uma realidade de violência estrutural contra essa população.
Os dados chocantes vêm do Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, um levantamento anual divulgado nesta segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).
Violência não diminui, apenas muda de forma
Embora o número de mortes em 2025 (80) represente uma queda de 34% em comparação com 2024, quando 122 pessoas trans foram mortas, a violência continua em patamar alarmante. O relatório da Antra aponta que essa diminuição nos assassinatos não significa menos perigo. Pelo contrário: as tentativas de homicídio aumentaram significativamente, passando de 57 para 75 em apenas um ano. Isso mostra que a intenção de agredir e tirar vidas ainda é muito presente, mas talvez com desfechos diferentes.
Quem são as vítimas e onde a violência se concentra?
A violência transfóbica atinge principalmente travestis e mulheres trans. O perfil das vítimas é majoritariamente de pessoas negras, jovens e que vivem em situação de vulnerabilidade social. Os assassinatos, na maioria das vezes, acontecem em locais públicos, como periferias e vias urbanas, expondo ainda mais a fragilidade dessas vidas.
Geograficamente, a região Nordeste é onde se concentra a maior parte dos crimes, com uma presença constante também no Sudeste do país.
Bahia entre os estados mais perigosos
No recorte estadual, a Bahia se destaca negativamente entre os quatro estados com mais casos de assassinatos de pessoas trans em 2025. Com sete mortes registradas, o estado baiano empata com Pernambuco e fica logo atrás de Ceará e Minas Gerais, que contabilizaram oito vítimas cada um.
A violência “se esconde” no interior
Uma tendência preocupante identificada no dossiê é a interiorização da violência. A maior parte dos assassinatos – cerca de 67,5% – aconteceu em cidades do interior em 2025, enquanto as capitais registraram 32,5% dos casos. Para a Antra, essa mudança é perigosa porque, em municípios menores, há menos presença do Estado e menos redes de apoio para as pessoas trans. Isso não só amplia o risco de subnotificação – ou seja, de que muitos crimes nem cheguem a ser registrados oficialmente – como também aumenta a invisibilidade dessas mortes.
Desafios para combater a transfobia
A luta contra a violência transfóbica enfrenta grandes obstáculos. A Antra destaca a falta de estatísticas oficiais confiáveis por parte do governo, a já mencionada subnotificação dos crimes e a cobertura jornalística precária em diversas partes do Brasil, o que impede que a sociedade tenha a real dimensão do problema.







